Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

momento cybershot

 

 

 

Trabalho de Rigo23, artista português cujos trabalhos estão em exposição no MAC (Museu de Arte Contemporânea) em Niterói - Brasil

 

 

Também por vezes sinto no fundo da alma

 

Uma ânsia secreta de como tu correr

 

Com a bagagem somente de um dia

 

Sem este eterno guardar por guardar

 

 

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publicado por siX às 13:32
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

Calixto e a virtude que dá

 

 

 

 

A Dor tinha-o abandonado e Calixto comemorava. Finalmente estava livre da peçonha que o havia amedrontado uma grande parte da sua vida insignificante. Calixto elevou uma vez mais o copo transbordante do odorífero bagaço e, de olhos fechados, engoliu-o em um único trago. Com o copo na mão, imóvel, Calixto sentiu o líquido a escorrer pelo esófago, queimando-lhe as entranhas, as vísceras reagindo e reenviando o seu protesto na forma de um nauseabundo arroto. O gajo do balcão recuou, aturdido e enojado, sob o olhar sanguinolento de Calixto.

- Outro – disse, apontando com o dedo o copo vazio.

- Assim não duras muito, Velho – replicou o gajo ao mesmo tempo que lho enchia, fazendo-o transbordar.

 

 

 

Calixto nada disse. Agarrou no copo e virou-lhe as costas. Enquanto bebericava, o seu olhar pousou num casal sentado à sua frente. O tipo com cara de lontra falava e a gaja à sua frente olhava-o fascinada. As narinas palpitantes, a boca entreaberta, a respiração ofegante indiciavam uma página em branco que a gaja procurava preencher, mas que o tipo com cara de lontra parecia não ver ou não querer compreender. “Mais um roto”, pensou. Em tempos passados, Calixto fora bem-falante. Também ele impressionara o lado feminino com prosas poéticas sussurradas ao ouvido e experimentara o prazer da conquista do corpo, a entrega da alma através do uso da Palavra.

 

 

O cara de lontra continuava a falar, debitando palavras para um ponto fixo numa linha de terra imaginada por si, num monólogo monocórdico interminável, indiferente à súplica crescente no olhar da gaja. Calixto observou-a. Algo nela o incomodava, sem descortinar a razão para tal. Entre dois tragos, lembrou-se! Num passado distante, quando o ideal era o pão que alimentava a alma, a sua sede de conhecimento e admiração pela obra de Ticiano tinha-o arrastado ao Museu do Hermitage em S. Petersburgo. Ao subir a escadaria October do Palácio de Inverno de Catarina, dera de caras com a estátua da Imperatriz Alexandra Fiodorovna, o rosto triste inclinado para a mão direita, o braço elevado apoiado nas costas da cadeira, repousando o esquerdo graciosamente no regaço.

 

 

Calixto estacara, abalado pela força inexplicável que o assaltava sempre que se encontrava perante o Belo e não raras vezes lhe arrancava uma lágrima. Essa mesma lágrima que agora corria pelo rosto de Calixto e o impelira, cambaleante, por entre as mesas ocupadas por gajos e gajas com o nariz enterrado nos portáteis, rindo-se como parvos para os ecrãs.

- Eu não aceito! – berrou. – Eu não aceito! Eu não aceito!

 

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Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

quadras sem epitáfio (por enquanto)

 

 

 

 

Neste pequeno país que temos,

Com pouco dinheiro e muitos vícios,

Fazemos de conta que não vemos,

As frias margens dos precipícios.

 

Dos políticos desta Nação,

Não vale a pena sequer falar,

Não fazem parte da solução,

Nesta barcaça a afundar.

 

Temos um Governo socialista,

Que s’ esqueceu que é de esquerda,

“O capitalismo é mais realista,

Para um país que está na “mêrda”.

 

Mordomias e privilégios,

Para afilhados e amigos,

São como decretos régios,

Estado iníquo e corrompido.

 

Grupos, bancos e afins,

Contratam “yuppies” para sugar,

O nosso sangue pr’ós vampiros,

Que se alambazam sem suar.

 

Quanto mais espremem, mais recebem,

Ao trabalho tiram o social,

Abusam, maltratam e despedem,

Deslocalizam, p’ra pagar mal.

 

Onde está a nossa Justiça?

Para onde foram os sindicatos?

Uma, é tão lenta que ficou riça,

Outros uivam à lua e comem patos.

 

Quem nos defende desta corja,

Que vai acabar com todos nós?

Teremos que voltar a por na forja,

As espadas dos nossos avós?

 

Até 2013, vamos estar em fim de festa,

Apaguem as luzes e varram o chão,

Apanhem os preservativos e o que resta,

Uns serão reciclados e outros, não.

 

Ou peguem nos tachos e caçarolas,

E sigam o exemplo argentino,

Gente que fez frente aos cartolas,

Neste mundo insano e sem destino.

 

 

 

(Poeta popular anónimo)

 

 

Esta série de quadras foram-me enviadas pelo meu amigo Berlim, que finalmente dá um ar da sua graça...

 

Bem hajas, pá!

 

 

 

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publicado por siX às 22:33
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007

no - ne - ve

 

 

 

 

A gaja indecorosa aproximou-se da mesa com o pretexto de cumprimentar Calixto, quando na realidade o seu olhar se fixava nos dois que o acompanhavam. Calixto a conhecia muito bem. Tão bem quanto as cascáveis dos desertos, e sabia que o seu veneno conseguia ser ainda mais mortífero.

 

Calixto ignorou-a, mas ela é que não desarmava. O tratava por “senhor isto” e “senhor aquilo”. Incomodava-o tal tratamento, ela bem o sabia. Olhou-a de frente e disse-lhe:

- Dor, tu estás velha! Velha, feia e gorda!

 

 

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publicado por siX às 12:59
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Sábado, 12 de Maio de 2007

calixto e a gaja indecorosa

 

 

 

 

Quando vê Calixto, a gaja indecorosa mostra-lhe os dentes procurando disfarçar o mal-estar que sente. Calixto, dissimuladamente, confronta-a com frases escusadas: “Que fazes?”, “Para onde vais?”, “De onde vens?”.

Está a ser perverso, Calixto, nesse momento! A gaja é-lhe indiferente mas obriga-a a falar, contra a sua vontade. Obriga-a a mostrar-lhe os dentes e isso dá-lhe um gozo fodido. O que Calixto gostaria mesmo, era de lhe partir os dentes.

 

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publicado por siX às 12:09
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

a escondida de calixto

 

 

 

 

 

Calixto esgueirou-se para fora do bar, renunciando ao charro que lhe era oferecido por um puto imberbe e olhar matreiro.

- Fuma, Velho! – disse-lhe o puto. – Vais ver que depois te sentes outro.

Numa outra altura, Calixto aceitaria o charro escurecido pelo óleo do haxixe sem hesitar. O peso das memórias que teimavam em não desaparecer e lhe obscureciam o sonho metamorfoseando-o em pesadelos disformes, esvanecia-se como que por encanto à primeira inalação do fumo azul. Mas não agora.

 

 

Calixto arrepiou caminho naquele seu andar desengonçado e curvo, em direcção à praia da sua juventude. Sem hesitar, entrou pelo paul adentro, enterrando os pés no lodo e sentindo nos tornozelos nus o roçar dos caranguejos que o habitavam. Atravessado o brejo, Calixto olhou a enorme duna à sua frente, o derradeiro obstáculo ao seu anseio. Sentia-se fraco e interrogou-se quantas vezes mais conseguiria transpor aquela onda gigantesca de areia. Encolheu os ombros e, em posição simiesca, iniciou a subida. O rosto avermelhado de Calixto era uma máscara de esforço que contrastava com o branco dos olhos, os lábios secos na boca entreaberta, os cantos cobertos de escuma. Um pé, outro pé, empurrando o esquelético corpo. Uma mão, outra mão, içando-o, numa escalada inabalável até ao cume.

 

 

Atingido o topo, Calixto, empapado de suor, de joelhos, abre os braços num grito mudo e desfalece, rolando pelo declive da onda até ao sopé onde fica imóvel. Calixto ergue a cabeça areada, de onde sobressaem um par de olhos luminosos e febris, em direcção à estrada intermitente de tijolos amarela que corta o oceano e arrasta o corpo até lá, deixando que as ondas descontínuas o lavem e refresquem. Por fim, senta-se. “O Lápis”, pensa. Com o indicador enterrado na areia molhada, Calixto escreve:

 

 

 

eis-me,

uma vez mais,

perdido

nos anais

desta praia

escondida.

longe

dos olhares

perturbantes,

das palavras

insinuantes,

do dedo

acusador.

enfim,

do estupor…

 

e, por fim,

longe

da mentira.

 

 

 

Calixto recosta-se na duna, olhos semicerrados num rosto sereno. A estrada de tijolos amarelos não existe mais. Agora é a flamejante Durindana que se estende na sua direcção, deitada sobre o mar, a sua ponta atravessando o peito magro e nu de Calixto. Mas não o mata! Apenas transmite brandura, a secreta paz de espírito que lhe possibilitará viver por mais um dia, uma noite que seja.

 

 

 

De um buraco ali perto, uma cobra de pele luzidia desliza suavemente até Calixto elevando-se a seu lado num “s” perfeito, em harmonia com o efémero torpor do fim do dia. O vaivém das ondas leva consigo as palavras escritas na areia fina, agasalhando-as e alojando-as no âmago do seu ser…

 

 

 

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publicado por siX às 01:07
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007

calixto no bar

 

 

 

 

Calixto imóvel, olhos fechados, sentado no seu e-mundo junto ao balcão do bar, despertou a impaciência do empregado.

- Acorda, Velho! – disse, tocando-lhe receoso no braço. – Aqui não é sítio para dormir.

Calixto arregalou os olhos sanguíneos fixando-os no gajo do balcão, que se afastou resmungando. Calixto não dormia. Recuperava das inúmeras horas que vagabundeara sem objectivo, através de uma técnica conhecida por dhyana que aprendera nas montanhas do Tibete onde estivera quando jovem, que consistia em silenciar o ruído incessante da mente e, ao mesmo tempo, mantê-la acordada.

 

 

Um fulano alto, moreno e bem vestido, acabado de entrar, passou por Calixto, ignorando-o. O tipo atraíra a atenção de uma loira vistosa que se encontrava numa mesa, com as pernas cruzadas bem torneadas depiladas lustrosas, motivo dos olhares lúbricos masculinos femininos que a rodeavam, e que ela aceitava com enfado. Indiferente, o tipo sentou-se e pediu um café. O Velho levantou-se e, com um ar malandro, segredou-lhe:

- Tu és vaidoso!

 

 

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publicado por siX às 00:19
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

calixto no limbo

 

 

 

 

 Fot by Rep Xis

 

 

Afinal, Calixto não morreu! Depois de se lançar no precipício, ser recolhido das águas frias do Atlântico, das inúmeras tentativas de reanimação e até determinarem a hora do óbito, Calixto acordou com uma grande ressaca, admirando-se por se encontrar nu. Vestiu as roupas miseráveis e saiu pelos próprios pés do Hospital dirigindo-se ao bar onde agora se encontra, incomodado por uma dor no cu.

 

 

Queriam-lhe fazer o funeral, a ele, Calixto! Vestir-lhe um fato de pinho e despejá-lo num buraco como se fosse lixo! Calixto ri a bom rir, o rosto num esgar, os olhos sanguíneos, a boca desdentada e aberta de hálito imundo. Tinha enganado a Morte uma vez mais, essa puta que teima em o seguir para todo o lado.

 

 

 

Calixto na penumbra, acossado pelos fantasmas do passado, bebe mais um copo ao balcão do bar. Indiferente a quem entra, rezingão para quem sai, Calixto não parece apoquentado pelo turbilhão do pecado. Fede a álcool, tresanda a bafio… Mais um dia, uma noite na semivida de Calixto, sem tema nem assunto, sentado no seu mundo perante o olhar enojado do empregado.

 

 

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publicado por siX às 17:58
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

frenético

 

 

coisa nº 10

 

 

Frenético!

Frenético!

Eu sou frenético!

 

 

O revirar dos olhos,

A espuma branca que goteja pelos cantos da boca

Os lábios secos, sedentos de uma bebida

Assim o davam a entender...

Cuspidas aos molhos

Numa toada esganiçada e oca

As palavras ressoam carecidas de vida.

Nada a fazer, nada a fazer...

 

 

Frenético!

Frenético!

Eu sou eléctrico!

 

 

 

 

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publicado por siX às 10:46
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Terça-feira, 7 de Novembro de 2006

cortante

 

 

 coisa nº 8

 

 

um caminho de pedras rugosas

arestas afiadas cortantes à porfia

desaparece na perspectiva.

pés e pernas engelhadas, outrora airosas

abertas para o amor

descansam em um lugar sem nome

fechadas, mitigando a dor.

sem esperança

espoliados de qualquer lembrança

andarilham por caminhos inóspitos

apontados a dedo.

 

 

olhados com desprezo,

despertam instintos mórbidos.

 

 

 

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publicado por siX às 23:18
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006

momento VC

 

 

 

 

 

Quando eu morrer voltarei para buscar

Os instantes que não vivi junto ao mar

 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

 

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publicado por siX às 23:43
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

indecente

 

 

 

 

Desdenho as ruas sujas da cidade

Da Vila do Conde, sem idade

Antiga

Instruída

E dum indulto que ninguém lê

Escorre a tinta para o chão

Quem te viu, quem te vê

Conde da Vila, meu irmão

Alçapão

 

 

Um vulto íntimo do passado

Instiga à evolução

Do concreto, vigas de aço

Do betão, viva a rotação

 

 

E da régia filosofia

Pouco resta da sabedoria

De um passado, transmutado

Num presente calcinado

 

 

Passeio nas ruas limpas da cidade

Da Vila do Conde, aos meus olhos

Na puberdade

Nas folhas soltas de um livro antigo

Um segredo bem escondido

Oculta um nome, tão diferente

Flutua no ar, defronte toda a gente

Indecente

 

 

Do murmúrio nasce a palavra

Evoca o nome do poeta

Que morreu, a troco de nada

E viveu como um asceta

 

 

Com a parca nostalgia

Escorre o rio negro para o mar

Numa imensa antologia

Num líquido deixa andar

 

 

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publicado por siX às 22:46
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Terça-feira, 25 de Julho de 2006

a minha psicóloga é uma puta

 

 

Chantal?

Sou o Chacal

A máquina letal

Que não te quer mal...

Chantal,

Mentirosa sem igual

Quem és tu, afinal?

A tal

Da ladainha verbal?

A do sinal trivial

Algum sexo oral

E sentimentos de metal?

 

 

Chantal

De pedra e cal

Débil mental

Numa cadeira formal

A resfolegar pelo bucal

Armada em puta fatal,

Psicóloga banal.

 

 

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publicado por siX às 00:16
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Sábado, 15 de Julho de 2006

vegeta

 

 

 

 

 

escurece

desperto

bêbado de mim...

tropeço

perdido no deserto sem fim

que é o meu quarto,

vegetação rasteira.

 

 

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publicado por siX às 15:45
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Terça-feira, 11 de Julho de 2006

quotidiano... às vezes

 

 

 

 

Há dias que eu me sinto, tão fatigado

E é nesses dias que eu pouso o meu olhar no passado

Relembro a primeira guitarra, o primeiro amor

E é nesses dias que eu penso, no rufar do meu tambor

 

 

Abro a minha mão

Estranho a sensação

Sento-me no chão

Vejo a minha colecção

Deito-me no colchão

Olho com muita atenção

Os que cá não estão

São parte da minha canção

 

 

Há dias que eu me sinto, preso a uma ilusão

Faço o dedilhar simples, com alguma imaginação

Mergulho discreto no som, profundo num coração

E é nesses dias que eu penso, é bom tocar um violão

 

 

Fecho a minha mão

Agarro a sensação

Levanto-me do chão

Deito fora a colecção

Sento-me no colchão

Ouço com muita atenção

Os que já lá vão

São parte da minha canção

 

 

Texto escrito faz uns anos, que eu julgava perdido e encontrei por acaso...

 

 

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publicado por siX às 00:37
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Quinta-feira, 29 de Junho de 2006

um resto de ácido

 

 

O monstro de quatro patas míope e uma goela

Prenhe mais uma vez

Arrasta-se lentamente pelo corredor

Espalhando veneno por onde passa.

Um corrimento fetal, que se escapa das entranhas

Desliza pelas coxas peludas carnudas,

Escorre para um mar de morte

Despertando um demente devaneio.

A gargalhada ecoa jocosa, hedionda

Contaminando o ar com a sua respiração fétida

Tornando-o impuro irrespirável sufocante penetrante... podre.

 

 

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publicado por siX às 19:38
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Quarta-feira, 28 de Junho de 2006

miradouro

 

 

 

 

 

Vi ao longe

O meu peito aberto

Fustigado pelo vento herege

No miradouro decrépito

Suspenso nos penedos

Da milenar capela da Guia.

 

 

Um raio desponta no horizonte

Fendendo a tempestade

Alternando a luz do dia...

Erguem-se as ondas escuras

Irrompem num caos de pura anarquia

O cheiro a alga

A alma da maresia.

 

 

Flagelado pelos coriscos

O manto branco de espuma

Acolhe os passos do espectro

No velho forte abandonado.

 

 

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publicado por siX às 23:39
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Sexta-feira, 9 de Junho de 2006

beijo

 

 

 

 

 

Adoro os teus cabelos,

Ondulados

Sobre os ombros, nus

Aquele caracol,

Teimoso

Que se confunde com a luz

Dos teus olhos castanhos,

Tão sérios

Por vezes, estranhos.

 

 

Adoro o teu cabelo,

Brilhante,

No teu vestido laranja.

Na pele,

Tisnada

Pelo cálido sol distante

Que me encanta,

Desperta

E desmancha.

 

 

Adoro os teus cabelos,

Molhados,

Solto sobre os lábios

Da tua boca,

Perfeita.

Que a minha estreita

Num desejo,

Intenso

Beijo.

 

 

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publicado por siX às 00:42
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2006

 

 

 

 

mar

marte

amar-te

com arte

através do visor

da TV

do monitor

LCD

digital

LSD

virtual...

com arte

 

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publicado por siX às 23:49
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Terça-feira, 6 de Junho de 2006

calixto

 

 

 

 

 

Calixto morreu,

Morreu Calixto.

E depois?

 

 

É mais um que se finou,

Que optou

Por se lançar no vazio do espaço

E se fragmentou

Em mais do que um pedaço

Nas rochas pontiagudas e cortantes

Como o provam a perna e o braço

Encontrados em pontos equidistantes

 

 

O corpo de Calixto

Recolhido

Mal coube num saco

E foi um poema

Apartado do punho cerrado

Escrito à antiga pena

Que o carácter peculiar

Logrou identificar

 

 

Calixto morreu,

Morreu Calixto.

E depois?

 

 

Não passava de um poeta

Mal vestido

Um pateta

Desconhecido

Um aziago

Sub nutrido

Um chato

Empedernido

 

 

Vai e não voltes,

Jamais...

Pregue-se na cruz o último poema

E na lápide de pedra-pomes

A cinzel gravado por mão obscena

Os dizeres me morais:

"Aqui jaz Calixto

Um pobre de espírito

Viveu sem jeito

E morreu desfeito"

 

 

Calixto morreu

Calixto sou eu

 

 

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publicado por siX às 20:55
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