Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

diário QD - let the sunshine in

 

 

 

Afinal, ainda não é desta que à ROM é atribuída a fantástica sigla de "reserva protegida". É assim, neste pequeno país enorme em burocracia e burocratas de fato e gravata, com ar sério e circunspecto!

 

"És susceptível! Agradas-me!", diria o temível corso.

 

 

 

 

Enfim, por cá continuo num eterno pôr-do-sol à beira deste mar caxineiro, onde apenas navios de grande porte se cruzam ao largo. Mas é belo e, afinal, isso é coisa dum passado que poucos parecem querer recordar.

Estou a brincar, claro. Eu não quero esquecer, apesar de todos os monumentos, fotos a preto e branco dependurados em restaurantes de pouco sabor a mar.

 

 

 

 

Estou na esplanada do Suvani e pareço sisudo, grave. São os óculos escuros que me dão esta aparência, porque por detrás das lentes escuras os meus olhos brilham perante um espectáculo que não necessito pagar. As minhas preocupações são muitas, graves e demasiado pessoais para aqui as relatar. Mas este é um momento muito meu que partilho com o Xis em silêncio.

 

 

 

 

O sol desaparece no horizonte, demasiado depressa para o meu gosto, lembrando-me da futilidade das palavras que tantas vezes utilizo, outras tantas leio!

 

 

 

 

A luminosidade esvai-se no horizonte e, estranhamente, afundo-me num poço de tristeza inexplicável.

 

 

 

 

A única certeza é que o amanhã trará uma outra realidade, espero que mais ponderada.

 

Como diria o corço : "És susceptível! Agradas-me!"

 

 

Fotos by Repórter Xis

 

 


publicado por siX às 23:15
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Domingo, 28 de Outubro de 2007

diário QD

 

 

Mais um diário, mais uma série de postas... de pescada. Sim, porque da pescada verdadeira, qualquer dia e não tarda muito, só da que vem do Chile via Espanha! Porque da que vem das Caxinas, dessa, parece-me cada vez mais distante! E quem diz pescada, diz outras coisas, tais como tamboril e faneca! E qualquer dia, nem a sardinha escapa às rudes leis que impõe cada vez mais restrições à pesca neste pequeno quadrado azul conhecido como o "maior porto piscatório do país".

 

Mas não vou discorrer mais tempo sobre o flagelo que parece uma vez mais querer tomar conta das parangonas de outros diários, esses sim, verdadeiros. E voltando costas à falta de subtileza para escrevinhar diariamente, dediquei este fim de semana a passear-me entre Braga e o Porto. Depois do azar me apontar o concerto de David Sylvian em Braga e a exposição inaugural do trabalho de Júlio Resende no Porto para o mesmo dia, optei por Sylvian. David Sylvian, que pareceu debilitado fisicamente, entrou mudo e saiu calado, mas cantou e encantou... a partir da terceira música, o "world citizen", uma das minhas favoritas e para mim bastou. Um fã tudo desculpa, não é? Gostei do Teatro Circo, agora reconstruído, cuja arquitectura que me fez lembrar o velhinho Teatro Neiva. Possuidor de um cartaz fabuloso de espectáculos, chamou-me a atenção a presença da banda Sandy Killpatrick & The Pilgrims of Light na sexta-feira que passou.

 

 

 

 

Sete euritos? Fantástico! Sexta peguei na família e ala que se faz tarde. Sandy é escocês e, de acordo com as suas origens, gosta de uns copos e de uma boa conversa. Copos, só água. Mas conversa, caramba! O homem até se esquecia que estava num palco. De qualquer maneira, o espectáculo foi muito bom e intimista.

 

 

 

 

Possuidor de uma excelente voz, discorreu através de baladas pessoalizadas por experiências passadas. Gostei bastante!

 

No dia seguite, fui à exposição comemorativa dos 90 anos de Julio Resende. Estavam presente cento e muitas obras que abrangiam vários períodos da vida do artista.

 

 

 

 

A exposição é fabulosa! Eu sou um confesso admirador da sua arte. A variedade pictórica expressa através de uma sensibilidade rara nos nossos dias, espanta-me quando olho para os seus trabalhos, principalmente as séries sobre o Brasil e Goa. Enfim, aconselho vivamente uma visita a esta exposição que está a decorrer no edifício da Alfândega na cidade do Porto.

 

 

Pelo caminho, ainda visitei a Cooperativa Árvore, motivado por um convite para a exposição de Jules Maidoff, um pintor americano que eu desconhecia.

 

 

 

 

Fantástico, não é?

 

 


publicado por siX às 21:10
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

diário QD - jacinto pontes capelo rio

 

 

 

 

Pontes! A Sul temos um Rio e a Leste uma Ponte, a principal. Mas não chega! Mais a Leste ainda, temos uma outra, a de Retorta, que liga esta freguesia à Av. Bernardino Machado, em Vila do Conde. Entre estas duas, uma terceira que serve o Metro que faz a ligação ao Porto. Outras existirão por esse rio acima, mas a que me interessa hoje é precisamente a que liga Retorta a Vila do Conde.

 

 

 

Fotog. by Repórter Xis

 

 

Dois anos passados sobre as eleições locais, ainda me lembram as promessas dos principais partidos ao cadeirão almofadado da Câmara. Estes esgrimiam pontes, e era um regalo para os ouvidos, ouvi-los a dissertar sobre as necessidades e benefícios expressivos que a sua construção constituía para o futuro de Vila do Conde. Ganhou quem prometeu mais e melhores ligações para a outra margem! Findos estes dois anos, as promessas do partido vencedor ficaram-se por aí, e mesmo a aclamada reconstrução da velhinha ponte de Retorta caiu no baú do esquecimento.

 

 

 

 

Bom, eu de pontes não percebo nada. Apenas sei como atravessá-las e aquilo que leio e ouço. E o que tenho lido e ouvido sobre esta ponte, diz-me que ela não oferece as condições de segurança para aqueles que diariamente se utilizam dela para os seus afazeres diários. E tenho até a ideia de que este foi um dos raros momentos em que ambos os partidos (PSD e PS) modelaram pela sintonia! Que me perdoem os homens da propaganda, mas como se explica que em Agosto de 2005 se tenha lançado um concurso internacional para a construção de uma ponte rodoviária nesta freguesia, cujo prazo de concretização após a adjudicação seria de um ano? Ou melhor, como se explica que a abertura de um concurso público exceda, em termos de prazo, o tempo para a construção dessa mesma ponte? Não há ninguém interessado em construir pontes?

 

 

Eu não posso olhar o teor desta pequena notícia como mera propaganda política, baseando-me no facto da aproximação das autárquicas! Não posso, entendem?

 

 

 

 

Olhando para as fotos do Xis, depreende-se que o jardim de Jacintos d'Água sob a ponte se alarga em toda a extensão do rio em ambas as direcções, uma praga que está instalada no país faz anos, mas cuja realidade no nosso rio é relativamente recente. E fiquei a saber, através de um curto exercício de jornalismo, que a Câmara não tem soluções a curto prazo para a contenção desta praga! Bem, o vereador do ambiente aponta a construção da Etar (prevista para daqui a 3 anos, se nada acontecer entretanto), para a resolução do problema em virtude da diminuição de nutrientes (dos quais o Jacinto se alimenta), resultante do tratamento das águas.

 

 

 

 

 

Entenda-se como “nutrientes” a merda que entra para o rio, proveniente de esgotos.

Eu até acredito que a futura Etar combata a propagação da espécie aqui no Concelho. Mas… e os restantes municípios encostados ao Ave? É sabido que muitas indústrias, possuidoras de Etar’s para tratamento dos seus resíduos, as mantêm desactivadas. Ainda há bem pouco tempo, um incrédulo deputado do PCP foi testemunha disso mesmo em Santo Tirso, ao presenciar um despejo ilegal de resíduos no Rio Ave por uma empresa possuidora de uma, em pleno dia! Ora, Vila do Conde tem o privilégio de ser a última freguesia junto ao rio, mas também o de apanhar com a merda toda que rio arrasta atrás de si! Até que posso estar enganado, mas julgo que muito dificilmente a Etar, por si só, resolva este problema. Só uma fiscalização apertada sobre os pouco éticos industriais, através de órgãos criados para o efeito, colocará um fim ao desprezo a que o rio tem sido votado. Assim poderá o Governo justificar os dinheiros direccionados para a construção de Etar’s industriais.

Assim, quem sabe, pragas como a dos Jacintos d’Água um dia desaparecerão, o rio voltará a ser transparente e os peixes já não necessitarão de saltar para poderem respirar.

 

 

 

 


publicado por siX às 12:56
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

diário QD - o enigma

 

 

Já algum tempo que não escrevo nenhum diário. Geralmente longos, abordam vários assuntos. Mas hoje apetece-me algo diferente!

 

É um enigma, para o qual os leitores do Quasi Diário estão convidados a resolver.

 

Para tal, coloco 3 (três) possibilidades de resposta:

 

 

  1. É um campo de milho
  2. É uma plantação de marijuana
  3. É o Rio Ave

 

 

O autor (ou autores) da resposta correcta será premiado com uma visita ao local, seguida de uma alegre tertúlia na Adega do Zé.

 

 

Fotog. by Repórter Xis

 

 


publicado por siX às 23:21
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

diário QD - gerês

 

 

Voltei! Enfim, gostaria de ter ficado mais tempo mas tal não foi possível. Nunca é!

 

Adoro a montanha... e sempre que regresso, parece que algo meu fica por lá perdido entre os vales, provocando angústia. É este meu lado solitário, que olha com desconfiança multidões...

 

 

Bem, chega de falar de mim. Quando lá cheguei, o tempo estava fantástico. Um sol abrasador, um pôr-do-sol flamejante, seguido pela noite que tudo alcança... Mas a lua estava cheia, enorme, inquietante...

 

 Eu e a minha filha contamos estrelas, centenas, até chegarmos a uma gigante, imóvel no ar!

 

"Um OVNI", disse ela! "Que disparate", retorqui. Mas, na realidade, quando regressamos a casa, a estrela desaparecera...

 

 

 

 

 

 

A foto seguinte é da igreja de S. Bento da Porta Aberta, que está sempre em festa. Deve ser a localidade do Gerês mais concorrida. Esta foto está aqui, porque me pediram uma especial, de alguém de S. Bento de Vairão. As festas estão a começar e nós, vilacondenses, temos um carinho especial por este Santo.

 

 

 

 

 

 

Agora, o Xis tem a mania de me perseguir e faz filminhos a torto e a direito. Eis um do Gerês, para ouvir com o som alto...

 

 

 

 

Fotos & Movie by Rep Xis

 

 

 


publicado por siX às 20:25
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

diário QD

 

 

É assim mesmo! O raio do escriba de serviço não está muito escriba não! Enfim, faz-se o que se pode...

E, para que não se diga que o raio do escriba passa mais um fim de semana sem sequer desejar um S. Pedro repleto de paganismo e areia nos tintins (gira esta palavra, tintins), vou então falar um pouco de mim.

 

Eu acho que ninguém se tem apercebido da minha ausência, neste cantinho virtual, repleto de teias de aranha às cores! Digo "às cores" porque é assim mesmo. A confusão neste espaço é de tal maneira, que até lhe chamo já "o cantinho do kaos"! É aqui que passo grande parte do meu tempo, febril e ausente. Imaginem que até já adoeci... Disse-me alguém entendido que trabalhar cerca de 12 - 14 - 16 horas por dia é para idiotas, estúpidos ou parvos! Pois... há um mês que assim ando. Enfim, minto. Parei hoje porque está a passar na TV  a Corrida de Touros na Praça de Montijo (está no intervalo neste momento, pelo que tenho que me apressar a escrevinhar isto), e a minha filha mais velha, uma aficcionada pela tauromaquia, gosta que eu me sente a seu lado e então ficamos os dois a apreciar este espectáculo bem português e do qual também sou aficcionado. Chocados? Não fiquem! Ao menos não sou hipócrita...

 

Bem, estive a apreciar a mestria de Ribeiro Telles, quanto a mim o mais fabuloso dos cavaleiros portugueses, a espectacularidade de Rui Salvador e o cada vez mais parecido com o Shrek, João Moura. As pegas têm sido, até ao momento, fantásticas. O Grupo de Forcados do Montijo são rijos! Têm que o ser, para afrontar os quinhentos e muitos kilos de puro músculo enraivecido em sua direcção.

 

Não posso esquecer o facto de alguns que por aqui passam terem apreciado os pequenos filmes que o Xis fez sobre o S. João. Vilacondenses que fazem a sua vida fora da Terra, gostam de viver também estes momentos, sem ser apenas pela lembrança. A eles agradeço as suas palavras. Não estavam lá grande coisa, os filmes! Suponho que o Xis já tinha exagerado nos copos, ele que é tão certinho, às vezes. Mas, que raio! Afinal sempre eram as festas maiores de Vila do Conde...

 

Achei montes de paprika ao post do Kafka (o antivilacondense) relativamente aos "direitos de resposta" que a folha de alface  O JVC tem sido obrigada a publicar. O Pedro Brás Marques, possuidor de um sentido de humor algo irónico e por vezes corrosivo, resolveu agraciar, benificiar a folha de couve com uma quota parte muito pequenina do seu intelecto, contribuindo para a venda de mais exemplares deste pechisbeque que se intitula jornal.

 

 

 

 

Esses "direitos de resposta" podem ser consultados aqui!

 

Deve ser agora algo incómodo e irritante para o JVC ter  que sucessivamente publicar os desmentidos e esclarecimentos dos visados às insinuações que este jornaleco, ao longo dos anos, se habituou. Sempre me confundiu o tom de arrogância e presunção de alguns destes "artigos", de gente sem nome que, numa espécie de redoma de vidro, se julgava inacessível e incólume. Gostei! Aliás, gosto de os saber verdes de raiva. Viva a Democracia!

 

Vou terminar. Já não podem dizer que nada escrevo e até vou desejar um excelente fim-de-semana a todos os que por aqui passam. "Ui! Tão cedo?",perguntar-se-ão alguns. Pois é, amanhã arranco para a minha segunda terra, o Gerês. Ordens de quem percebe destas coisas, sobre o descanso.

Ah! Não contem para ninguém, mas vou levar algum trabalho comigo...

 

 


publicado por siX às 23:51
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Terça-feira, 12 de Junho de 2007

diário QD - betão e outras estórias do concreto

 

 

 

 

Afinal, parece que o milagre a que o Mário Lino se referiu sempre aconteceu. Bastou um estimulozito para que a prepotência passasse a meia arrogância. Bom, que a OTA vai torta, isso ninguém duvida! Nem socialistas, nem anarquistas e nem zapatistas… ou seja, tudo e todos navegam na mesma onda, ou não fosse a circunstância da localização do novo aeroporto passar a ter sido um caso de honra nacional… e também socialista! O que não dá muito bem para entender. Ainda não alcancei a urgência desta questão, quando na realidade se fecham outras “urgências”, estas bem mais necessárias! Digo-o eu, que sou do povo e pertenço a ele, e não a uma elite dita de esquerda, bem remunerada, que ultimamente dedica o seu tempo a abrir a boca para sair asneira da grossa, tão pouco frequenta “urgências”!

 

 

 

Mas, dizia, não entendo muito bem esta necessidade premente em construir um novo aeroporto! Afinal, onde estão os números que provam que o país vai sofrer uma enchente de turistas “pé-descalço” daqui a meia dúzia de anos? E vêm visitar o quê? A região Norte não deve ser! Quem quereria visitar uma das zonas mais pobres da Europa, fotografar a miséria, percorrer o seu interior degradado e deserto? Pois, Lisbon é o que é! Esta centralização de poderes absurda ainda não foi objecto de estudo, mas estou convencido que daqui a algum tempo ainda se vai gastar alguma tinta na descodificação de determinados sintomas aos quais serão apontados alguns distúrbios mentais, próximos da esquizofrenia! Enfim, pouco falta para se construir um muro em seu retorno – aliás, muito na moda – que isole esta cidade da escumalha que a rodeia.

 

 

Mas já me estou a desviar do assunto. Dizem, com certeza numa base de números fantástica, que o aeroporto de Lisbon atingiu um ponto crítico. Deve ser pela mesma razão que o aeroporto Sá Carneiro está às moscas! Ainda não há muito tempo, efectuavam-se voos directos para qualquer ponto do globo a partir de Sá Carneiro. Agora não, tem-se que fazer escala em Lisbon! Não sei se estão a perceber a intenção desta obrigatoriedade, mas tem algo a ver com o distúrbio mental, acho! Só pode! E, afinal, quem quer ir a Lisbon quando se tem o aeroporto de Vigo aqui mesmo ao lado?

 

 

 

Falam-se em verbas malucas, como se de cêntimos se tratasse. É verdade. Mais milhão menos milhão, na construção de um aeroporto cujo custo está avaliado em milhares de milhões, não me parece anormal de todo! Sabendo-se que a Saúde corre sobre rodas, e que a Educação – aliás, uma antiga paixão de um outro socialista de renome – rola sobre carris, tenho que concordar que esses desviozitos não serão demais para alimentar a indústria da construção civil, que vive uma situação deveras precária muito motivada pela acção de uns chatos ambientalistas que vêm fantasmas em tudo quanto é terreno. E, se há coisa que o país necessita, é de betão! Muito betão! Porque é desta matéria que é formado o raciocínio daqueles que nos dirigem, ou assim o pretendem. Eu poderia referir o raciocínio de alguns famosos como de Betão! O de Marcelo Martelo, por exemplo… Ou o do Padre Louçã, dito Francisco. Marques Mendes, não. Esse não passou do cimento, coitado. Mas o rei do betão é sem dúvida Sócrates José, um antigo ambientalista a quem o deslumbramento do poder provocou uma espécie de “click” mental, causadora do distúrbio.

 

 

 

Enfim, estou desolado. Canso-me com esta escrita aborrecida porque nada de bom tenho para dizer. O país está a pique e continua megalómano, mas não faltará quem me contradiga e pense exactamente o contrário, que o que o país – Lisbon – mais necessita é de um excelente, enorme e fantástico aeroporto, o cerne e a resolução dos nossos problemas.

 

 

 

Desconheço a realidade da base de tal empreendimento, excepto o que se diz por aí, como qualquer mortal. Mas sei que o aeroporto com mais movimento da Europa na época estival fica numa ilhota aqui próxima. Falo do aeroporto de Maiorca, em Espanha. Quem já visitou a ilha, reconhece autenticidade nas minhas palavras. E sabe também que as dimensões de tal aeroporto não são muito superiores às do aeroporto de Lisbon, quiçá de Sá Carneiro. No entanto, é impressionante a quantidade de aviões que aterram e descolam por dia, fruto da organização tecnológica aliada à competência humana. Mas, que significam estes frágeis exemplos perante uma mentalidade de betão? Quem sou eu, afinal, para discorrer sobre tais assuntos, eu, que deveria aceitar sem um pestanejar a veracidade dos números, a grandiosidade do argumento de gente iluminada! No fundo, pertenço a uma minoria – estou cada vez mais convencido disso – preocupada com o futuro. Não o meu, mas o dos Meus! Olhando para eles, tremo só de pensar que o seu futuro será de betão…

 

 


publicado por siX às 23:18
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

diário QD

 

 

Mais um Diário QD, mais uma martelada, e desta vez no Professor Martelo, digo, Marcelo. Marcelo Martelo continua fantástico nas bocas, disparando a torto e a direito como se da sua voz, da sua opinião, se construíssem pontes para o lado de lá – o deserto. Do alto da sua sabedoria, Martelo, após umas marceladas valentes, atribuiu - condescendente - às alterações do tempo, as trapalhadas dos políticos, caricaturas de uma batOTA há muito anunciada no infindo descampado lá para a tão propalada margem sul. Detesto-te, Martelo Marcelo! Antes os puritanos, com os seus utópicos chapéus, que uma Morcela no caldeirão da sopa. A teres razão, que as inquietações do tempo afectam, provocando o desnorte da tua classe, não tarda que tal peçonha se espalhe… E depois? De quem é a culpa? Não passas de um vírus, que se propaga através da estática e penetra em casa dos incautos que mantêm a televisão ligada!

 

Quem vê TV, sobre mais que no WC!

 

Só quem não quer é que não vê, que já não há LSD!

 

É a estricnina pura resultante das endomorfinas, de quem corre por gosto e não cansa. Não cansa, mas também não vê, muito menos pensa! A peçonha pega-se à roupa, induz ao esquecimento e provoca a indiferença. E corre! E corre! E propaga-se!

 

Afinal, que faz esta fiada de paus embaraçados junto a este muro de lamentos?

 

 

Foto by Repórter Xis

 

 


publicado por siX às 20:26
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

diário QD - um pouco estranho

 

 

 

 

É sabido que a taxa de desemprego tem aumentado e sido motivo de conversas rebuscadas filosóficas intermináveis. Seria até um caso Maigretiano, não fosse o suspeito do costume ter como apelido Sócrates, não o reconhecido filósofo da Grécia Antiga que até quis ser escultor, mas sim um outro, também este meditabundo e com a agravante de que o seu pensamento traduzido em acções tem influenciado o quotidiano português através de uma filosofia errática, baseada na mentira e na imoralidade. No entanto, tal não parece afectar o populismo deste indivíduo, cuja aura persiste inexplicavelmente!

 

 

 

Tal facto deveras estranho leva-me a pensar que, afinal, eu tenho o país que mereço, e a expectativa de um melhor não passa de pura ficção e que o melhor a fazer seria recolher-me para um canto e aceitar! E quanto mais depressa o fizesse, melhor! Porque assim, melhor seria! Mas eu assim não sou. Muito prezo a minha Liberdade que, diga-se, nunca interferiu com a de outros, os Princípios conquistados no cada vez mais distante Abril, o Conhecimento adquirido através da abertura a novas correntes de pensamento e enigmáticos caminhos artísticos.

 

 

 

E se eu tenho o país que mereço, então também mereço estar sob a égide de uma classe de políticos que primam pela corrupção e a mentira, não sendo de todo estranho que determinados exercícios de autoritarismo sejam levados a cabo sem o mínimo de respeito pelos princípios mais elementares por que se regem as sociedades ditas democratas!

 

 

 

O caso do processo disciplinar levantado ao Professor Fernando Charrua por este ter proferido um comentário jocoso sobre o diploma (ou a falta dele) do 1º Ministro José Sócrates é um desses casos, em que o autoritarismo e o fanatismo parecem agora prevalecer sobre uma das mais valiosas conquistas da Revolução de Abril, a liberdade de expressão, relegando para o buraco do esquecimento todo o sacrifício daqueles que lutaram por ela até à exaustão.

 

 

 

Circunstâncias ocorridas no passado como o de Salman Rushdie, obrigado a viver escondido por ter escrito os Versículos Satânicos, e o das caricaturas de Maomé, que fizeram perigar o Ocidente num assombro de fanatismo, possuem algum paralelo com o do infeliz Professor, porque afectam a sua dignidade pelo pior dos defeitos: a intolerância.

 

 

 

 


publicado por siX às 12:56
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

diário QD

 

 

 

 

Tenho cinco minutos. Cinco minutos que vou tentar transformar em mais um QD diário, vá-se lá saber porque! Vícios, vícios…

Bem, ultimamente, o nosso líder rosa tem estado praticamente invisível. Não sei se será "boa" tanta invisibilidade, discrição, o que lhe quiserem chamar... e tal terá, concerteza, uma boa razão! E porque não com o famoso propalado difundido jantar do PSD no Rancho do Monte no passado sábado?! Vão ver que sim. Eu, no lugar dele, ficaria uma semana a rir sozinho, tal foram as bacoradas que saíram da boca de alguns intervenientes, principalmente do líder laranja Marques Mendes. Atentem a esta pérola, entre outras:

 

“Conheço a realidade daqui, o clima de medo, intimidação e até de retaliação que sempre tem existido na Póvoa de Varzim”.

 

Todos sabemos que o mediático baixinho gosta de uma boa onda, que conhece termos como “flat” e “Big Rider”. Mas tanto desconhecimento geográfico qualquer dia leva-o a confundir a Madeira com os Açores, Angola com Timor. O líder do PSD local, Pedro Brás Marques, devia estar algo apreensivo com tanta ignorância, a perguntar-se o que terá falhado. Um copo a mais? Sei lá! Mas que algo de estranho se passa com os líderes políticos, isso não duvido. Um não encontra o diploma que lhe confere o grau de engenheiro; outro não sabe por onde anda e depois, obviamente, também não sabe o que diz.

 

 

Eu quero acreditar que Marques Mendes veio mesmo relaxar um pouco das confusões que existem lá para o sul, na Câmara alfacinha. Sim, porque confusões dessas, só mesmo no Sul. A decotada Fatinha de Felgueiras não conta porque é mulher e nós, portugueses, somos ainda uns cavalheiros e, não menos importante, o nosso Mário é “amigo” dela.

Também quem deve estar a gozar que nem um doido é o Pedro Santana Lopes e, se há coisa de que um baixinho não tolera, é que se riam dele, da sua pequenez. Enfim, a vida continua e, o melhor a fazer, é mesmo levá-la a rir.

 

 


publicado por siX às 13:46
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007

diário QD

 

 

Faz tempo que não escrevinho nenhum diário! A razão é simples: muito pouco, às vezes nada, tem despertado o meu interesse pelas políticas díspares que influenciam sob diversos aspectos o corre-corre da minha aldeia. Aliás, é tudo tão cinzento, que o puro acto de escrevinhar sobre eles me é doloroso sob o cariz intelectual. Enfim, faz-se um esforço…

 

O clube dos 7

 

 

 

 

 

Depois de Portugal ver recusada a pretensão de incluir um dos seus monumentos no conjunto daqueles que estão a votação para a escolha das novas sete maravilhas do mundo, apesar de ser palco da sua proclamação em 7 do sete de 2007 pelo 007 às sete, resolveu por sua iniciativa eleger as sete maravilhas de Portugal. Na Câmara Vilacondense fez-se luz e, vai daí, toca a eleger as sete maravilhas do concelho. Tudo bem! É bonito e apela a um sentimento bairrista. Portanto, toca a votar! Eu já cliquei 1492 vezes no Mosteiro de S. Bento de Vairão… Estou a brincar, só votei uma única vez. Mas ao permitir que um mesmo utilizador, sem nada para fazer, passe uma tarde a clicar no monumento da sua preferência vezes sem conta, está-se a adulterar as regras do jogo! Bom, nada a que não estejamos habituados…

 

 

A meter água

 

 

 

 

 

 

 

Depois da terrível provação pela que passou a comunidade piscatória das Caxinas com o naufrágio nas águas da Nazaré do Luz do Sameiro, as inúmeras reuniões, discussões públicas, entregas de protestos em mãos a membros do governo e promessas feitas dentro do âmbito da protecção das gentes do mar, chegamos ao costumeiro impasse que se traduzirá, uma vez mais, no esquecimento. 

As medidas prometidas pelo Tio tardam, o terreno destinado ao famoso heliporto continua incólume e os Socorros a Naúfragos, enfim, naufragam no esquecimento sem se entender muito bem porquê.

Estranha esta relação do Tio com as Caxinas! Têm uma verdadeira adoração por este homem, a quem consideram mais que um Tio! Não acreditam? Atentem só a este singelo poema de uma autora natural das Caxinas...

 

Caxinas de outrora

Desapareceu

Desde que alguém

Se lembrou dela

E a engrandeceu.

 

Já não são analfabetos

Os filhos dos pescadores,

Temos professores, engenheiros

Enfermeiros e doutores.

 

Caxinas já não é o que era

Está sempre em evolução,

Nem por isso deixa de ser

Terra do meu coração.

 

Devemos ao Sr. Presidente Mário Almeida

Toda esta evolução,

Os caxineiros lhe agradecem,

De todo o coração.

 

 

 

Maria de Fátima Fangueiro

 

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publicado por siX às 00:26
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

diário QD

 

 

 

 

Há nota, muita nota

Nos terrenos da Ota

Há batota

Uma bota no descanso da mota… da Ota

Que risota, que anedota

Uma piada consumada chacota

De um idiota feito janota que já foi jota

Uma anedota

Que ecoa a batota

E reboa… Ota…Ota…Ota…

 

 

 

Que tal?! É como andar de mota, não? Bem, ouvi o ministro fulano de tal dizer que só um milagre faria repensar a construção do futuro aeroporto em outros terrenos que não nos da Ota, mas que até nem era muito crente! Quis ele dizer com isto que nem vale a pena discutir o assunto, porque quem manda manda, e nós, simples marionetas, temos que nos mover de acordo com os que manipulam os cordelinhos, ou seja, Ele. Este “Ele” com letra maiúscula significa “Todo-Poderoso”, como nos antigamente. Sim, porque afinal, Milagres só no tempo do Professor Doutor Oliveira Salazar, que é hoje em dia o personagem mais popular e motivo de grandes discussões públicas, porque ficou à frente numa espécie de concurso televisivo que auscultava a opinião, numa espécie de amostra, do portuga mais influente… E o Professor Doutor Salazar ganhou! Ganhou a Álvaro Cunhal, a Mário Soares, ao Marquês de Pombal, a Camões, a Pessoa, a... a… a!...

Uma chatice para os verdadeiros intelectuais que apontam agora o povo como uma súcia de atrasados mentais porque votaram naquele espécime que afundou o país numa espécie de Idade das Trevas durante alguns anos, mas que alguns autarcas tomaram como exemplo, conseguindo-o mesmo ultrapassar no espaço temporal sob a batuta da democracia… Dark Age, estão a ver? The Sound?! From Lions Mouth?! Não? Então procurem, que vale a pena.

 

 

Mas voltando aos intelectuais, dizem eles que não é relevante esta amostra de opinião, que não passa disso mesmo: uma amostra. Eu também acho que não passa disso mesmo. Só não percebo então porque razões nos períodos eleitorais se recorrem tanto a amostras para auscultar a opinião pública e que estas – pasme-se – raramente falham! Outra chatice, pois é…

 

 

Ah, creio que repararam que me refiro ao Ditador como “Professor Doutor” e não o faço como a maior parte dos intelectuais que se referem a ele de modo depreciativo pelo primeiro nome ou apelido. Refiro-o assim porque é uma realidade e até tenho um bom motivo que nada tem a ver com saudosismo, sequer simpatia. O seu currículo assim o atesta e nunca foi colocado em causa, como agora acontece com o do nosso Primeiro-Ministro. Uma diferença estonteante entre aquele que se assumiu sempre como Ditador e outro que o esconde sob a capa do Socialismo. Mais, a alteração recente na página do Governo das habilitações do Pinóquio após a polémica – de Engenheiro passou para Licenciado em Engenharia – só veio confundir e não clarificar o que deveria ser perfeitamente identificável: uma porcaria de um diploma devidamente assinado e comprovativo da conclusão de um curso académico de grau superior… e sabe Deus o quanto o país não necessita do milagre da transparência! Mas é como diz o “Outro”: milagres já não acontecem, as pessoas já não são crentes. O último aconteceu no dia 25 de Abril de 74 e, desde então, o Terceiro Segredo de Fátima já foi desvendado e o Benfica nunca mais ganhou nada de jeito.

 

 

Interessante o facto de o actual Primeiro-Ministro que, segundo declarações de antigos professores nunca foi um aluno brilhante, ter efectuado a sua formação académica na Universidade Independente, a tal recentemente envolvida em múltiplos escândalos financeiros e que já colocou na prisão alguns dos seus administradores, Reitor incluso! A tal a quem o governo deu uma semana para normalizar a situação, ou ordenava o seu encerramento! Claro que não quero insinuar nada de menos próprio para com o Primeiro-Ministro, apesar de não deixar de ficar admirado pelo facto de os registos relativos ao ano da sua formação e anteriores terem sido destruídos!!! Bom, nada do que aqui digo é novidade! Já todos ouvimos, vimos e lemos sobre este e outros. Mas seria uma vergonha para o país se tal se viesse a comprovar, que estávamos perante um Pinóquio crónico que gere os destinos do país a seu bel-prazer de acordo com princípios pouco éticos, como a ocultação da conclusão de uma licenciatura.

 

 

Uma hipótese, ainda que remota? … Ota… Ota…Ota.

 

 

 


publicado por siX às 00:27
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Quinta-feira, 22 de Março de 2007

diário QD

 

 

 

 

Na realidade, Santana Lopes, não pode dar um passo fora da linha imaginada para ele, sem que lhe caiam de imediato em cima. Tive essa percepção hoje, ao ler a notícia referente ao debate aceso de ontem sobre o futuro aeroporto da OTA, no Jornal de Notícias. Referiu-se o dito escrivão ao debate como “penoso”, descrevendo como “desnecessária” a intervenção de Santana Lopes, quando este pediu a palavra para clarificar o papel do governo por si liderado no módico espaço de três meses. Mas penoso, porquê? Para quem? Para Marques Mendes ou para o Pinóquio? Para ambos? Ou para nós, que vamos ter que desembolsar os tais 16 mil milhões para pagar um negócio envolvido num obscurantismo que deixa várias questões sem resposta. Eu, por exemplo, gostaria de ver escarrapachado no jornal os nomes dos actuais donos dos famosos terrenos, quando foram adquiridos e por quem! Ou será que é segredo… de Estado?!

 

Ah! Não posso esquecer as famosas derrapagens financeiras nos anteriores projectos megalómanos dos socialistas! Quem me garante a mim que afinal os 16 mil milhões não se vão transformar em 32 ou até 64?

 

Ok, já sei que a memória é curta e que comemos muito queijo! Esquecemos o essencial para valorizar o acessório. Foi isso exactamente que fez o tal de escrivão do JN, que merecia melhor. Deu demasiada importância ao aspecto da interpelação de Santana Lopes e até duas páginas à frente o colocaram negativamente no barómetro do jornal. Está de parabéns, o jornal, pelo péssimo serviço prestado.

 

Infelizmente, raros são os jornais que se dedicam à investigação em prol da verdade. Nós, os comuns mortais, dependemos e muito do trabalho sério efectuado por tais raros seres, pelo direito que nos assiste, enquanto cidadãos e eleitores, de saber para onde vai o raio do dinheiro ganho à custa do suor de tantos.

 

Mas voltando à figura de Santana Lopes, o crucificado, confesso que gosto da sua pose, do seu discurso, do incómodo que provoca nas cinzentas hostes do seu grupo partidário e não só. Ao contrário destes, tem sentido de humor, veste bem e já se deitou com algumas das tipas mais badaladas das revistas cor-de-rosa. Um ser raro que se destaca dos gurus mal amanhados e feios. É bom saber que ainda “anda por aí”…

 

Está de parabéns Marques Mendes que, finalmente, se pôs em bicos de pés e deu umas palmadas de luva branca no tutu rosado do Pinóquio, ao responder-lhe à letra na questão do oportunismo político protagonizado por ambos, atirando-lhe ao nariz as promessas ocas de esperança que não passavam de mentiras, numa agora óbvia caça ao voto, e terminando com um "o senhor tenha tenho na língua"... Pinóquio ganhou nesta questão. Na do oportunismo, claro, porque no debate em geral esteve nervoso, à defesa, irritadiço, teimoso... sinais da mudança dos tempos.

 

De tanto berrar sobre a OTA, ainda vira um caso clínico, digno dos conselhos do Mestre e Professor Pais Clemente.

 

 

 

 


publicado por siX às 22:07
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Domingo, 11 de Março de 2007

diário QD - estio

 

 

Este fim de semana esteve simplesmente fantástico. Temperaturas na ordem dos 20º é fabuloso, quando se está ainda em pleno inverno!

 

Para aproveitar o estio pouco normal para a época do ano, convenci o Xis e lá fomos para a pesca! Chatear os peixes, como se costuma dizer...

 

 

 

 

A paisagem estava assim, luminosa e transparente. No entanto, fui surpreendido por três focos de incêndio, dois dos quais em plena Reserva de Mindelo como se pode depreender pela fotografia do Xis!

 

Dois?! Caramba! É que, apesar de ter estado sol, os terrenos ainda estão húmidos! Obra do Espírito Santo d'Orelha, vão ver! Ou então, de alguém muito nervoso com as reuniões da autarquia com a Junta Metropolitana do Porto...

 

 


publicado por siX às 19:11
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Sexta-feira, 9 de Março de 2007

caciques, manda-chuva e outros tutus

 

 

 

 

Hoje está na moda apelidar de Cacique todo e qualquer mortal que ocupe um lugar de destaque por vários períodos de tempo, e de caciquismo a sua forma especial de estar e agir, ditada por considerações pessoais ou motivações interesseiras. Sendo intencional, é horrível e deselegante apelidar alguém de Índio, como vem sendo vulgar hoje em dia. Porque é isso mesmo que me vem à memória, os velhos “westerns” com tipos sujos e dedo leve no gatilho e índios, montes deles, eufóricos a bramir machados e arcos e flechas, menos um, o mais sereno e circunspecto, olhar penetrante e feições marcadas, que eu identificava logo como o chefe, ou seja, o Cacique!

 

 

 

Por cá, existe esse mau hábito, principalmente entre as hordas políticas. É, por exemplo, vulgar, o presidente do PSD, Pedro Brás Marques, referenciar-se ao trabalho do Tio como caciquismo! E, quando ele o faz, imagino logo o Tio de toucado de penas, olhar penetrante e circunspecto, em pose yoga no interior do seu “Tipi”, porque tenho uma imaginação fértil!... Mas como o Pedro Brás Marques o que gostava mesmo era ele ser também Cacique, imagino-o na mesma posição, o mesmo olhar penetrante e circunspecto.

 

 

 

 

Há relativamente pouco tempo, assisti no canal Odisseia a um programa interessantíssimo sobre os Fazedores de Chuva no Brasil, todos eles de olhar também penetrante e circunspecto, atentos aos movimentos das nuvens ou da alteração comportamental das formigas. A minha imaginação, claro, levou-me à associação destes Fazedores com os Manda-Chuva nacionais, termo bastante comum há uns anos a esta parte para identificar os todo-poderosos, e que foi agora substituído pelo actual Cacique. Eu, particularmente, acho muito mais piada ao primeiro que ao segundo, por ser mais nacional e menos índio.

 

 

 

 

Mas a minha preferência recai sobre o Tutu, termo importado do Brasil para definir os papões locais e com o qual nós, portugueses, mais nos identificamos. Por exemplo, vejo José Sócrates não como um Cacique mas sim como um Tutu, muito motivado pela posição política que ocupa e habitual prepotência, sem esquecer o seu olhar penetrante e circunspecto! Indivíduos politicamente deslocados como o Armando Vara, gestores públicos que vivem das boas graças do governo e assumem o seu parasitismo como se de uma profissão se tratasse, cabem também neste campo fértil de imaginação penetrante e circunspecto! Mas, quanto a mim, o maior dos Tutus é o actual presidente do Banco de Portugal, Victor Constâncio, indivíduo muito circunspecto e de olhar muito penetrante, que raramente aparece! E, quando o faz, nunca é por uma boa razão! No entanto, é sabido que ganha anualmente o dobro do seu homólogo americano, o tal continente considerado o mais rico e poderoso, circunspecto e penetrante do planeta, e do qual importamos o Cacique!

 

 

 

 

É ou não, o maior dos Tutus?!

 

 

 

 

 

 


publicado por siX às 17:44
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Terça-feira, 6 de Março de 2007

diário QD - botiquices

 

 

 

 

«...os Marroquinos não mereciam ter uma Urgência própria!».

 

Foi assim que o Boticário da Póvoa comentou aqui uma posta que nada tinha a ver com o tema, com o único propósito de me provocar. Tenho reparado que o caro polaco tem postado com frequência sobre o assunto, referenciando o resultado das negociações encetadas pelo Tio com o acólito socialista através de contornos nebulosos. Bem, nebulosos ou não, o certo é que até concordo com a posição do Tio, ao optar pela via negocial. Acho que esse é o caminho certo e a manifestação popular só deve ser alternativa quando esgotadas todas as hipóteses de negociação. Manter a Urgência a funcionar até às 24 horas, seguido de serviço ambulatório, não me parece mau de todo, sabendo o quanto irredutível tem sido Sócrates nas suas opções. Aliás, só há relativamente pouco tempo Vila do Conde possui uma Urgência com instalações que se podem considerar de boas e todo este processo agora desencadeado pelo governo é apenas um recuo no tempo, já que estávamos habituados a calcorrear os 3 quilómetros que nos separam da Póvoa.

 

 

Piores estão aqueles que têm de percorrer, não três mas sim trinta quilómetros para recorrer a uma urgência! Esses sim, é que são os verdadeiramente injustiçados pelas políticas economicistas do governo liderado por um Pinóquio que gosta de apontar a Europa como referência de modernidade, mas que nos empurra cada vez mais para um passado de triste memória.

 

 

No curto comentário do Boticário é óbvio que está inerente uma crítica algo dura para com o nosso Tio. E aí, eu não posso concordar com ele. Mário de Almeida pode não ser o melhor dos presidentes, mas também não é dos piores. Defeitos e virtudes, todos têm! Eu tenho, o Boticário também… Mas, lendo os blogs da vizinha Póvoa e a acreditar em que tudo quanto afirmam, então o problema aí é doentio… e as autárquicas não foram assim à tanto tempo, pois não? Na realidade, os polacos nunca primaram pela inteligência de opções, pelo que nem sequer têm que se queixar.

 

 

Já vivi na Póvoa e tive o desprazer de ter como vizinho o vosso petulante presidente, que frequentava a praia da Lagoa sem um queixume face ao mau cheiro dos esgotos que ali desembocavam. Quanto ao Aires, o vosso vice, conheço-o desde os tempos de liceu! Não era um tipo popular nem antipático, não era carne nem peixe. Era apenas… invisível! No entanto, chegou a vice daí e, ao que parece, tem-se dado bem, a acreditar nas histórias dos apartamentos, carros de alta gama e quintas apalaçadas em Ponte de Lima!

Creio que, em termos de mediocridade, estamos conversados.

 

 


publicado por siX às 22:36
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

diário QD - quasi desinteressante

 

 

 Fotog by Rep Xis

 

É verdade… não tenho nada relevante para colocar aqui. Vila do Conde continua ao sabor das marés, que teimam em subir cada vez mais! Impressionante o relato do pescador de Esmoriz que teimava em não sair da casa ameaçada pelas águas do mar, rebuscando na memória uma data para a sua fixação, ao mesmo tempo que conjecturava:

 

- Quando para aqui vim, o mar estava a quilómetro e meio! Agora, quer entrar em minha casa… Mas daqui não saio, vou ficar até à última…

 

Que será feito do pescador? Terá abandonado a sua casa, ou não? Será que alguém se importa com isso?!...

 

 E por cá? Bem, as águas ainda não subiram tanto assim, mas para lá caminhamos. Algumas obras de estrutura já se fizeram, principalmente em frente à Quinta do Engº Carvalho. Teve que ser, face ao estranho desaparecimento das areias dessa praia. Mas tenho cá para mim que qualquer dia, o litoral de Vila do Conde será uma linha de água ininterrupta e sem areia, que na praia de Azurara, aquela duna sobranceira ao mar, um dia será calcorreada por uma onda enorme que deslizará até aos pés de alguns empreendimentos que, como agora se diz, fazem parte da paisagem, que apartamentos construídos na linha de água, que custam milhares, serão colocados à venda por dezenas! Mas isso é cá para os meus botões e, certamente, já não estarei aqui para ver.

 

É por isso que eu estranho determinadas pessoas… Pessoas que, contra todas as expectativas e avisos, estudos científicos e alguma futurologia, se predispõem numa contínua conquista de terrenos marítimos em prol de um rápido devaneio economicista, em vez de uma sensata e lógica visão que mire a protecção daqueles que por cá ficam, como por exemplo os nosso filhos e os filhos destes. Mas que esperava eu?! Numa terra onde predomina a indolência de ideais, questões filosóficas não se colocam. Só aos grandes é permitido tal quimera, e esses não proliferam por Vila do Conde.

 

 


publicado por siX às 15:08
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

diário QD

 

 

“O futuro fazemo-lo nós.”

 

 

 

Sempre acreditei nesta frase, que as nossas acções são determinantes para a construção do nosso futuro. No entanto, para lá chegar, necessário é que os actos daqueles que nos governam sejam preponderantes no sentido da criação de oportunidades às novas gerações, que terão a responsabilidade de as melhorar para entretanto as adjudicar às seguintes. E não é o que se passa. É com alguma apreensão, um sentimento conspícuo, que vejo a revolta popular para os lados de Valença. Gente apreensiva com o inusitado fecho da Urgência e a carga policial a que foi sujeita, sinal de uma determinação política mais próxima de uma ditadura que de uma democracia.

 

 

 

Também por cá, em Vila do Conde, está previsto o fecho da Urgência. O nosso problema não é a distância, tão pouco a crueldade de caminhos esburacados ou estradas interiores perigosas e demoradas. É sim o fluxo de utentes que por lá passam, principalmente em tempo de estio. O nosso presidente tem essa noção e preocupa-se, tal como um Pai… No entanto, prefere o caminho do diálogo em vez do assumo popular. É uma opção, caso existisse alguma abertura por quem assume algumas liberdades ditatoriais, o que se não verificou até agora. Mário Almeida deve ter ficado algo desorientado e proferido para com os seus botões - Que grande merda! -, com a desculpa do Ministro da Saúde quando este aludiu uma gripe para desmarcar uma reunião agendada, mas que saltou da cama perante a demonstração de arrojo popular dos Flavienses. O ministro gripado desorientado adoentado não tem culpa. É um pau mandado do Pinóquio, que não dá a cara pelas suas decisões e mantém assim os índices de popularidade que lhe darão cobertura até às próximas eleições. Talvez nas entrelinhas esteja escrito:

 

“Tens que aguentar. És do PS e não deves manifestar-te. Os autarcas desordeiros são do PSD, e não podemos ter elementos do PS envolvidos em manifestações e outras acções de cariz popular, ou não conseguiremos tratar este problema como uma situação política.”

 

 

 

Mas eu iniciei esta posta a falar do futuro! Um futuro num país cada vez mais dividido entre Norte e Sul, onde Lisboa manda em tudo e o Porto não manda em nada! Um país em que o fosso divisório entre os mais pobres e os mais ricos alargou, em que estudar significa cada vez mais desemprego, onde ainda se morre por falta de assistência médica. É assim o meu país, dividido em zonas ricas e zonas pobres. Eu vivo na zona mais pobre do país, o Norte! Que, incrivelmente, é onde mais se trabalha mas também a mais explorada por gente sem escrúpulos, que garantem o seu futuro à custa da miséria de muitos.

 

 

                                    

 

É por essa razão que aprecio cada vez mais a Ilha da Madeira e o seu Imperador, Alberto João Jardim. Admiro a sua rebeldia, inteligência e espírito acutilante. O chamar os bois pelos nomes quando necessário, o populismo aliado à sua figura bizarra e determinação implacável. Foi graças à sua personalidade indómita e dedicação pela sua gente que a ilha da Madeira evoluiu de uma região esquecida e pobre para a segunda mais rica. Uma dedicação que lhe atribuiu uma popularidade sem precedentes e provoca a inveja de governantes, autarcas e presidentes.

 

 

 

Ao, inesperadamente, provocar eleições antecipadas na Madeira motivado pela aprovação da nova lei das Finanças Regionais que, no seu entender, vai prejudicar quem lá vive, Alberto João provoca o governo socialista de Pinóquio. Não vai conseguir inverter a lei, mas garante mais dois anos de mandato e enfureceu os socialistas que, apesar de interpretarem tal acto com a costumeira indiferença, não conseguem disfarçar o incómodo da afronta.

 

 

 

Politicamente, é inegável que Alberto João Jardim é implacável e duro. No entanto, o sentimento pelo bem comunitário destaca-o dos seus pares, o que o torna inquietante, um «outsider» da política. O bem-estar dos seus concidadãos está acima de qualquer interesse partidário, e ele não o esconde. Por essa razão, os naturais fixam-se cada vez mais, quebrando o fluxo emigratório dos que por razões óbvias abandonavam a ilha.

 

 

 

Tomara a grande maioria dos governantes, autarcas e outros que tais, que pululam por esse país fora, demonstrassem em actos e atitude metade do que Alberto João Jardim conseguiu ao longo destes anos, em vez das eternas promessas ocas e vãs que nos enchem de perplexidade e assombro relativamente ao futuro.

 

 


publicado por siX às 14:02
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

diário QD - de fugida

 

 

O Carnaval à porta e eu de fugida, como de costume. Também preciso de redenção, se me entendem...

 

Levo o Xis comigo e prometo umas fotos exemplares daquele lugar extraordinário, aqui tão perto: a Serra da Lousã...

 

 

 

 

Tenham um bom fim de semana...

 

 


publicado por siX às 15:23
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

diário QD

 

 

 Foto by Rep Xis

Hoje, uma vez mais, o rio branco de espuma despertou-me para a indignação. Uma descarga enorme tinha transformado o Rio Ave numa pista branca, compacta. Ainda pensei em ligar ao Xis e tirá-lo da cama para imortalizar com a sua objectiva mais um momento digno da estupidez humana, mas não! Ignorei aquela merda e segui em frente. No fundo, fiz como a grande maioria, encolhi os ombros perante a inevitabilidade. De nada me serve a indignação e incredulidade, quando tais sentimentos são confundidos através do melindre ridículo e a incapacidade de análise. Estou cansado de ser confundido, conotado como um gajo do contra. Talvez a minha visão de uma Vila do Conde romântica choque com a visão e os objectivos de outros, que apostam em outras direcções, mais metálicas e viradas para uma outra “realidade” diferente da minha. Assim é, é assim que eu sou. Quando me apontam o futuro, apenas vejo o resultado da prepotência e não da modernidade. Um problema de visão, que vou tentar corrigir.

 

 

Também o 1º Ministro Sócrates aponta o dedo à despenalização do aborto como sinal do modernismo europeu. E, quando ele aponta o dedo ao futuro, está a apontar em direcção da miséria sombria que ajudou a criar. Para mim, modernidade, significa desenvolver a excelência de atendimento necessário para que as mulheres possam ter os seus filhos com toda a dignidade, mantendo a esperança no futuro, e não o contrário. Arranjar soluções para a adversidade humana como sinal de modernismo, não passa de pura demagogia. Desde o início que este referendo está envolto em hipocrisia política, o que não é honesto e defrauda os que mais se envolveram nesta questão da despenalização.

 

 

É por isso que, pela primeira vez, não vou colocar o meu voto na urna. Vou fazer de conta, como fiz hoje ao passar pelas margens do Rio Ave. Passar o dia com a minha família, ver uma exposição, ler um livro, até pescar se o dia estiver aprazível. No fundo, fazer algo que me enriqueça interiormente e não participar, nunca mais, em situações que me deixam vazio de conteúdo e perplexidade.

 

 


publicado por siX às 13:47
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