Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

correio dos leitores (coisas mínimas)

 

 

coisa nº 9

 

 

Duas mulheres, duas opiniões diferentes sobre um mesmo tema, tão na ordem do dia: o aborto.

 

 

De entre as várias mensagens que caíram na minha caixa de correio motivadas pela posta aqui escrita, seleccionei estas duas por me parecerem serem aquelas que mais podiam contribuir para a discussão do tema.

 

 

A Júlia é defensora do "NÃO" e, em poucas palavras expõe o porquê ao mesmo tempo que aponta o dedo acusador ao governo e assume o seu próprio caminho que, de solitário, não deixa de ser generoso sob o meu ponto de vista.

 

 

A Cristina defende o "SIM" e prefere basear o seu parecer no excesso de coloquial que eu aplico em determinados pontos da minha posta para contrapor. É uma opção para a qual eu reservei algumas respostas no espaço dedicado aos "comments".

 

 

 

"Olá Six

 

 

Pensei em escrever um comment sobre o aborto, mas como sou radicalmente contra , achei que a minha opinião poderia provocar a ira daquelas mulheres q levantam a bandeira ridícula  do  " sou dona do meu corpo e faço dele o que quiser "; ou daquelas " super mães " que defendem o aborto pq não querem ver seus filhos passarem fome ou virarem bandidos;  ou mais ridicula ainda a posição daqueles que defendem a legalização do aborto  para evitarem a morte  das mães que o vão  fazer  em clínicas clandestinas, sem nenhuma assepsia, preferindo  assim  matar o feto.

 

 

Como se existisse uma escala de valores, aonde vale mais a vida de um adulto do que de um ser que ainda não nasceu e como se a vida  começasse a partir do nascimento e não da concepção.
Bem , eu poderia ficar escrevendo horas sobre este assunto.

 

 

Na comunidade carente onde tenho um trabalho voluntário, dedico um bocado de tempo falando sobre isso. Digo sempre aos jovens que devemos conversar bastante sobre esse assunto porque " da discussão  nasce a luz e das relações sexuais nascem os bebês ". Na minha opinião, a solução está na educação e na prevenção e se o governo não faz a parte dele, façamos nós.  Mas essa é a minha opinião .

 

 

Júlia

 

 

 

 

Olá siX

 

 

Ontem reli o teu post sobre a "crise moral". Reconheço que alguns valores estarão em crise, mas a questão da decisão de se fazer uma interrupção voluntária da gravidez não pode ser reduzida a uma frase como esta: "Se a opção é foder como coelhos, assim seja. Mas que se assumam as responsabilidades dos actos." Foder como coelhos?!!!! Acreditas mesmo que todas as interrupções voluntárias da gravidez acontecem depois de um "Vai ser bom, não foi?"

 

 

Esta questão não tem "Talvez"...ou se é a favor ou se é contra. Tu és contra e eu sou a favor. Tu tens os teus argumentos e motivos e eu tenho os meus.

 

 

"Desenganem-se aqueles que uivam sobre a discriminalização, apelam a melhores condições clínicas. O aborto clandestino será sempre uma realidade, neste país de meios-meios. As clínicas particulares só estarão ao alcance de meia dúzia, e duvido exista unidade hospitalar que coloque a vida de um paciente em risco pela urgência de um aborto..."

 

 

Parece-me um pouco grosseiro (ou será arrogante?!) que compares a voz daqueles que são a descriminalização do aborto a "uivos", porque tal como tu dizes "O aborto clandestino será sempre uma realidade"...Sabendo disto, não te parece que a hipocrisia é um "desvalor" que está a ser alimentado por aqueles que defendem o "não"? 

 

 

É óbvio que se as pessoas são contra nunca o irão fazer, independentemente do resultado do referendo (que nem percebo porque vão gastar dinheiro a fazê-lo). Quem aceita a possibilidade da sua legalização (e não digo que esta seja uma prática utilizada como "contraceptivo") pelo menos garante a possibilidade de um atendimento profissional que protegerá a mulher de situações de risco...que aí sim, se tornará num caso de verdadeira urgência...e se tornará "um paciente de risco".

 

 

A IVG sempre existiu, sempre irá existir e sempre foi uma decisão que envolveu mulheres... e homens. Porque será que a sociedade aponta o dedo acusador às mulheres, quando, na grande maioria dos casos, a decisão de se pôr fim a uma gravidez (nem sempre indesejada) envolve também o homem?

 

 

Bem, esta é a minha opinião sobre o assunto, e tu não és o único amigo que tem uma opinião diferente da minha... E ainda bem que temos a liberdade de a podermos emitir...

 

 

Cristina

 

 

 

 

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publicado por siX às 23:39
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1 comentário:
De siX a 14 de Novembro de 2006 às 01:14
1 - «opção de foder como coelhos» é um excesso de coloquial por mim empregue numa conversação q se pretende despreocupada, com em qq relação diária, e deve ser lida no contexto sem particularizar.

2-«aqueles que uivam» - aplica-se o ponto anterior. No entanto, posso dar um exemplo que ratifica esta minha expressão e me iliba de qq sentimento menos próprio. No decorrer do congresso do pS, Helena Roseta (conhecida feminista) apela ao Pinóquio a democraticidade de escolha e opinião. o entanto,logo a seguir, propõe a alteração da lei pela via parlamentar, cao o "não" vença, numa perfeita sintonia com a sua personalidade dúbia. É óbvio que se a vontade expressa pela via democrática, que é o voto, não coincidir com o seu esquema de valores, a senhora não o tolerará! Mais, estou convencido olha aqueles com juízo diferente do seu como seres desprovidos de cérebro, que não deviam sequer opinar. Para mim, num estado de direito, democrático, apelido de "uivos" toda aquela posição que, pelo despotismo, pretende fazer prevalecer sobre a posição dos demais. E até estou a ser brando ao não apelar tal de "urros da democraticidade".

3- As "situações de risco" já estão previstas na lei,pelo q não entendo a necessidade de as evocar.




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