Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006

portugal mete pena (by Berlim)

 

 

Índio da sub-reserva Aguarrakwyaver Sewdeycho

In Revista Endividar

 

 

 coisa nº 5

 

Concordo a 100% com o que é referido no excelente artigo de opinião de Nicolau Santos, intitulado “Portugal vale a pena” e recomendo vivamente a leitura do mesmo pois é preciso, mais do que nunca, ser positivo e seguir os bons exemplos que por aí se vêm!!!

 

 

A certa altura e depois da enumeração de alguns exemplos de sucesso, o autor sai-se com a seguinte frase: “O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive - Portugal.” E eu pergunto: Porque será?

 

 

Por ser a mais cristalina verdade, essa frase “matou” o tom optimista do artigo e deixou-me (isso sim!) com uma pena enorme e a pensar no que este pobre País podia ser e não é, porque passados mais de 30 anos de vivência democrática:

 

 

    A Justiça, pilar fundamental de qualquer sociedade democrática e desenvolvida, está cada vez mais burocrática, desacreditada e longe dos cidadãos (principalmente daqueles de menores recursos), por culpas próprias e dos legisladores;

 

    A Educação continua a ser uma prioridade só na boca dos políticos, porque na prática se assiste à tentativa de fazer uma reforma do Ensino contra os profissionais do mesmo – o resultado irá, seguramente, aprofundar o enorme desastre que já é a Educação neste País;

 

    A Economia definha na mesma medida em que os produtos e lojas chinesas invadem o nosso dia-a-dia e as unidades produtivas demandam melhores paragens (leia-se “com mão de obra mais barata e/ou com mais habilitações”);

 

    O Ambiente e o Património (natural e construído) estão em risco permanente pela incúria do Estado e dos cidadãos e, muitas vezes, devido a interesses económicos predatórios e imediatistas;

 

    O Estado, “balofo”, autista, inconsequente, arrogante e burocrático, consome e desperdiça mais recursos do aqueles que o País pode suportar e asfixia a sociedade civil com burocracia e impostos;

 

    Os poderes Regional e Autárquico acham que não têm culpa do défice e deste estado de coisas e, por esse motivo, não devem ser obrigados a participar no “apertar de cinto” geral e, seguindo essa linha de pensamento, endividam-se até ao tutano para pagar as despesas e investimentos (só rentáveis em votos). As gerações futuras que paguem a factura... ;

 

    Os Governos (central, regional e local) caiem em descrédito ao deitar pela borda fora as promessas eleitorais à medida que vão chegando as directivas e as ameaças de cortes de fundos vindas da UE (abençoada seja!), mas sobretudo pelos inúmeros exemplos negativos de prepotência, compadrio, ostentação, negligência, injustiça, mediocridade e má gestão, que exibem, todos os dias, perante os índios desta reserva chamada Portugal.

 

    E os índios, despojados de toda e qualquer forma de participação na política, excepto através dos partidos (argh!), do seu voto ou das blogueiras “cantigas de escárnio e mal dizer”, teimam em continuar a votar nesta gente, ano após ano e eleição após eleição, num ritual masoquista para o qual um grande escritor português já aventou um desfecho (ou seria uma solução?)

 

 

 

Não vos vou maçar com mais do mesmo, porque passados tantos anos em que nada parece mudar, a não ser para pior (ah, agora vamos ter mais e melhores SemCustos-para-os-UTilizadore’s, mas desta vez a pagar!) e, apesar de alguns (raros) bons exemplos vindos, na sua maioria, da sociedade civil e da actividade privada, os nossos irresponsáveis e inimputáveis governantes e o cartel parasitário que os rodeia continuam hipotecar alegremente o nosso futuro e o das nossas crianças e, em vez de servir com eficiência os cidadãos que lhes pagam os salários, continuam a servir-se deles e a tratá-los como papalvos cuja única função é votar e proporcionar-lhes abundantes receitas, acerca das quais, aliás, julgam que não têm o dever prestar contas e de gerir o melhor possível. Até ao dia…

 

 

Toda a envolvente sócio-económica negativa criada por “este Estado” e pela sua péssima gestão, tornam ainda mais extraordinária e merecedora de aplauso a obtenção de sucesso por parte de empresas e empresários (com excepção da banca e empresas financeiras). Por este motivo acho que devemos ter (alguma) fé no futuro deste País.

 

 

Porque no fim, e quanto mais não seja, os espanhóis vão ter mais dificuldade e vão ter que pagar mais dinheiro para comprar algumas dessas empresas…

 

 

Sejamos, pois, optimistas! E viva a democracia!

 

 

Berlim

 

 

 


publicado por siX às 22:45
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4 comentários:
De mfc a 24 de Outubro de 2006 às 19:07
É a alternância no poder...sem alternativa política!


De seforis a 24 de Outubro de 2006 às 22:41
Portugal não mete pena! O que o faz são alguns Portugueses que se deixam apanhar na rede do poder e, desse modo contaminados pela viciante sensação que o mesmo acarreta. É lamentável de facto muito da merda que se vai fazendo. Mas, acredito que nos habituaremos a ela e, dela retiraremos algum partido. Pois, não me parecem que restam melhores perspectivas de um futuro com melhores Portugueses...Adoro Portugal. Sou Português ...


De murodeberlim a 25 de Outubro de 2006 às 20:04
Também sou português e também adoro Portugal, mas nunca me habituarei à merda... cheira mal!


De seforis a 26 de Outubro de 2006 às 07:45
É um bom fertilizante e, dizem, naturalmente biológico :-)


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