Quinta-feira, 3 de Agosto de 2006

diário QD

 

 

Já há muito que não escrevinho nenhum Diário. A razão deve-se simplesmente pelo facto de eu gostar de amadurecer ideias, de matutar antes de as enviar por um tubo para o limbo da net.

 

É o caso das alegações de Vitor Costa, no Jornal O Primeiro de Janeiro. Este Senhor é um rapaz de grandes capacidades, inteligência viva, que cultiva a arte de nada dizer quando confrontado sobres as questões ambientais que afectam o burgo... Por ele vim a saber que, afinal, a associação ambiental Amigos do Mindelo não passa de uma súcia de mentirosos e o inimigo a abater.

 

 

INIMIGO DO AMBIENTE

PROCURA-SE

 

 

Afinal, estes tipos não têm nada que se preocupar, quando a câmara tem um pelouro dedicado às causas do ambiente. Ele, Vitor Costa, é que tem que se preocupar... é para isso que ele lá está e vê!

 

A sua alusão às algas tem toda a razão de ser, acreditem ou não. Quem se deslocar à praia da Senhora da Guia compreenderá o que o dedicado Vitor quer dizer quando acusa a associação de cega, incompetente e mentirosa. Quem se quiser banhar nesta praia, tem que procurar um buraco entre as algas para o poder fazer. E, na sua realidade, a praia é só espuma acastanhada em toda a extensão, mais um milagre da natureza.

 

Perguntem-lhe! Ele, Vitor, dir-vos-á que aquela espuma que só ele vê, e de acordo com velhas tradições, é plena de iodo... e que sobre a égide da Senhora da Guia, óptima para curar doenças de pele! E que se algum peixe morto aparece, é porque chegou a sua hora! Afinal, tudo morre... quem não morre?! E se em vez de um forem milhares, a causa mais provável será intoxicação alimentar... quem os manda comer o que não devem?

 

Assim é Vitor Costa, inteligente, intrépido e cortante... no bom caminho para ser presidente de qualquer coisa no futuro... no fundo, um Amigo!

 

E nesta coisa de Amigos, considero-me um priveligiado...

 

 

 

 

Não tenho muitos, gostaria de ter muitos mais... mas os poucos que possuo enchem-me as medidas e não param de me surpreender.

 

Tenho, por exemplo, um que me virou as costas por duas vezes. A primeira, quando pensou que isso cairia bem no goto do Tio, e a segunda porque cairia bem no goto do empregador... mas é meu amigo. Quando me vê, dá-me sempre aquele abraço caloroso...

 

Há também um, dito empresário não digo do quê, que também se diz muito meu amigo. Tão amigo que, quendo lhe comprei por amizade um determinado material, se escusou de me passar factura com a desculpa que o papel se lhe tinha terminado. De facto, cobrou-me a mercadoria com IVA, dizendo que ma enviava mais tarde, que não podia fugir ao imposto, era cumpridor com as suas obrigações. Já se passaram uns meses, e da dita factaura nem vestígio. Ainda hoje espreito a caixa do correio na expectativa de lá a encontrar...

 

Afinal, que raio, ele até é e meu amigo!!! Tão amigo, que levei a empresa onde trabalho a comprar-lhe milhares e milhares de euros em mercadoria até à data e assim vai continuar... porque sou seu amigo.

 

Mas não ficam por aqui, os meus amigos. Muito poderia contar sobre eles, até de alguns especiais que ignoraram a minha aflição por ver a minha filha desaparecida, optando pela masturbação contínua de um Portugal - França.

 

Na realidade, tenho um Amigo. De elevada formação moral e intelectual. Daqueles que os meus amigos não têm. Muitos o conhecem porque escrevinha aqui de vez em quando. É um amigo para quem o abraço está reservado para momentos particulares e o aperto de mão tem significado. Com quem partilho preocupações e alegrias naturalmente, sem barreiras. Um amigo, que estando longe, é sempre presente. Tenho ou não, sorte?

 

Com este meu amigo, também partilho música. Porque sou músico, escrevo música, devoro música... de tal forma que já não distingo géneros nem coloco ninguém em pedestais. Vem isto a propósito de uma posta em determinado blog about buildings and food acerca do desaparecimento do Syd Barrett e a sua predilecção pelo primeiro disco dos Pink Floyd, considerando-o o mais genial. Eu perguntei o porquê de tal afirmação, e recebi como resposta uma série de adjectivos tais como onirismo, excentricidade, loucura e frescura, o que me levou a pensar na dicotomia Forma versus Conteúdo...

 

 

 

 

Syd Barrett escreveu uma mão cheia de músicas das quais se aproveitam cinco, e depois queimou os fusíveis. Cinco músicas não fazem de ninguém um génio. O mito Barrett cresceu muito na base de histórias que se contavam do género de o homem passar o dia defronte a espelhos numa contínua e alucinada viagem. Dessas cinco músicas, algum experimentalismo abriu caminho para a Forma em detrimento do Conteúdo, e que originaram bandas como os Soft Machine, Yes, Gentle Giant e ELP, que exploraram até à exaustão a fórmula em temas sinfónicos cada vez mais longos (Forma)...

 

Mas voltando ao primeiro disco dos Floyd, a proposta é de puro Conteúdo. Temas pequenos cujo objectivo passava pela inclusão no Top of The Pops, sendo que os famosos singles são pop puro. O seu afastamento da banda foi uma benesse para a música, como se reconhece pelo falhanço comercial  do seu trabalho a solo. A entrada de Gilmor, responsável pelo som floydiano tal como o conhecemos, e a explosão criativa de Waters,  agora sem a presença sufocante de Barrett, originaram discos inconfundíveis como Ummagumma, Atom Heart Mother, Meddle e The Dark Side Of The Moon, entre outros. Neste último, a sequência de músicas consecutivas não intervaladas deram origem à Forma, pelo prazer de ouvir um disco inteiro sem interrupção, priveligiando o uso de sintetizadores e guitarra em detrimento das letras.

 

Mas gostos são gostos, paladares são paladares... Tenho cá para mim que se o Barrett continuasse à frente dos desígnios da banda, os Floyd nunca se teriam libertado do Conteúdo, nunca teríamos tido o prazer de ouvir um Dark Side Of The Moon ou de suportar a fixação pela concepção do mundo industrial de Waters...

 

Cá para mim, the lunatic is on the grass, onde perdura o mito... mas não o génio...

 

 

música: diários QD

publicado por siX às 16:10
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3 comentários:
De seforis a 3 de Agosto de 2006 às 20:59
Não sei porquê, sempre simpatizei contigo :-) apesar de não te conhecer...acho... Abraço profundo para quem ainda é amigo. Espero, sinceramente, que a tua filha se encontre bem....


De Kafka a 3 de Agosto de 2006 às 23:19
plenamente de acordo


De siX a 4 de Agosto de 2006 às 00:38
ora... obrigado a ambos, a simpatia é mútua...

seforis, a minha filha está bem, obrigado :)


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