Segunda-feira, 26 de Junho de 2006

diário QD

 

 

Este ano, as festas da cidade estiveram muito bem compostas... Foliões foi o que não faltaram, marteladas no toutiço e alhos porro a roçarem as narinas também, enquanto os mais velhos, mais sabidolas, optavam por ramos de alfazema para gáudio das meninas.

 

 

 

 

Por volta das duas da matina, milhares se juntaram pelas margens do rio para assistirem ao fogo de artifício, sempre deslumbrante e principal motivo de atracção dos que nessa noite visitam Vila do Conde. Eu achei a sequência do fogo repetitiva, tudo muito igual, comparativamente a anos anteriores. Ou pautou a falta de imaginação, ou a falta de dinheiro...

 

Findo o fogo, é a debandada geral. Eu deixei-me ficar pela praça José Régio, lind na decoração, onde deitei abaixo umas surbias e umas mini pizzas, enquanto apreciava o esforço de um Dj em segurar os poucos que se quedavam por lá.

 

Eu acho a praça José Régio lindíssima, um espaço pensado para grandes tertúlias, um ponto de encontro, e não entendo muito bem a indiferença a que os vilacondenses lhe dedicam... até parece votada ao ostracismo...

 

Caso nada se faça que contrarie esta tendência, não tarda os poucos comerciantes fecham portas, a erva daninha tomará conta dos canteiros, alguém desenhará um bigode farto no rosto da estátua do poeta...

 

O dia seguinte é o dia em que o Santo abençoa o pequeno burgo em procissão, o que me traz à memória o pequeno verso do Francisco Q:

 

 

Saiu a procissão do adro

Desceu o circo à Vila

Perante tão medonho quadro

Não nos resta senão segui-la (...)

 

 

Bom, para mim o quadro não é assim tão medonho, e procuro sempre que as minhas filhas participem e assimilem estes momentos de cariz popular tão característicos da nossa comunidade, da mesma forma que lhes ensino a História, relato as antigas lendas, aponto o nome das rochas e os pequenos segredos que encerram quando vamos para a praia, para que sintam Vila do Conde da mesma forma que eu a sinto, para que nunca esqueçam as suas raízes...

 

Ao fim do dia, a tradição completa-se com a ida dos Ranchos da Praça e do Monte à praia. Este é o momento em que despertam as velhas rivalidades, e os apoiantes expressam o seu apoio com «vivas» ao rancho da sua preferência e apupam o outro com assobiadelas.

 

 

 

 

É uma rivalidade saudável, muito antiga, e a que melhor define o espírito das festas já que é 100% vilacondense.

 

Como é sabido, o meu coração pertence à Praça. A minha filha mais velha afinou pelo diapasão do pai e já conhece e canta as canções de cor... mas a mais nova diz que "é" do Monte... Eu acho que é só para me contrariar. Nada que um algodão doce ou um gelado não resolva.

 

E foi isso mesmo que fizemos no fim do fogo preso, ele também fraquito. Mas que importa isso? Será sempre assim, uns anos melhor, outros pior. Importa mesmo, é o espírito com que se vivem as festas...

 

 


publicado por siX às 20:59
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2 comentários:
De donkixote a 28 de Junho de 2006 às 19:46
Este ano o cilcista ainda particpou na sessão de fogo preso??


De siX a 28 de Junho de 2006 às 20:50
Claro!!! Sem o ciclista, o s.joão não seria mais o mesmo :-)


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