Sexta-feira, 23 de Junho de 2006

manifesto dos 38 ou do espírito livre

 

 

Mais um manifesto de António Manuel Ribeiro, que eu tenho todo o prazer em publicar...

 

 

 

 

"A troca emporcalha todas as relações humanas, todos os sentimentos, todos os pensamentos", escreveu o situacionista Raoul Vaneigem ("A Arte de Viver para a Geração Nova"). "Há duas espécies de liberdade: a que é medida pela sociedade e a outra, a que existe ou não existe, mas que temos de assimilar à Felicidade. Não nos é servida de bandeja: «Meu caro senhor, aqui tem a liberdade, aqui tem a felicidade!", disse o poeta e cantor anarquista Léo Ferré.

 

 

É, de facto, aqui que reside a escolha individual fundamental. Entre a liberdade e a troca, entre a liberdade e o mercado. A "liberdade" e a "felicidade" que existem na sociedade capitalista quase se resumem a relações de compra e venda. O trabalho é essencialmente tédio e rotina, o desemprego um estigma,e o lazer (quando existe...), salvo algumas excepções, também é dominado pela lógica consumista e mercantilista. Tudo se compra, tudo se vende, no altar sacrossanto do mercado, onde todos somos reduzidos à condição de mercadorias. Alguns partidos supostamente de extrema-esquerda ou de esquerda radical, como o Bloco de Esquerda em Portugal, adoptam a linguagem capitalista, adaptam-se às instituições da democracia burguesa, aceitam gerir o capitalismo à imagem e semelhança do PS ou dos trabalhistas de Blair.

 

 

A ruptura com este estado de coisas passa pela revolta individual, pelo espírito livre de que falam Nietzsche e Max Stirner. "Não há mais nenhum outro juíz de mim mesmo, senão eu próprio, o único a decidir se tenho ou não razão. Tens o direito de ser aquilo que podes (e queres) ser. O que tu realizas, realiza-o como individuo único. O Estado, a sociedade e a Humanidade não podem domar esse diabo", escreveu Stirner. E é da junção desse "diabo", desse espírito livre, desse espírito dionisíaco, desse "bailarino" de Nietzsche, da poesia maldita de Rimbaud, de Lautréamont, de Sade, com a tomada de consciência colectiva nos cafés, nas empresas, nas ruas que nasce a chama revolucionária.

 

 

A revolução de que falam os surrealistas, os situacionistas e os zapatistas só é possível se nos revoltarmos contra a lógica opressora da troca, do mercado, do capital. Só será possível quando dentro da nossa cabeça matarmos os valores do mercado, do dinheiro, da eficácia, da competição, do lucro. "A revolta interior conduz à liberdade exterior", disse um dia o poeta Jim Morrison.

 

 

A revolta interior conjugada com actos criativos provocatórios, com o terrorismo poético é o caminho que conduz à demolição de todos os poderes.
 
 

 

 


publicado por siX às 13:57
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