Segunda-feira, 15 de Maio de 2006

sem medo

 

 

 

 

Na última semana, a televisão presenteou-nos com uma série de reportagens comemorativas do nascimento de Humberto Delgado, mais conhecido como o General Sem Medo. Como é sabido, Humberto Delgado foi morto em Espanha após o exílio forçado naquele país, por gente que se crê ligada à polícia do antigo regime, o que contribuiu para a continuação da lenda.

 

 

Bom, o documentário de contornos interessantes, despertou-me a atenção para uma visita do General a um bairro da lata no interior do país, na zona de Chaves. A voz de Humberto Delgado chamava a atenção para a situação degradante que aí se vivia, acusando os governantes de a ignorarem ao mesmo tempo que passavam imagens de casebres de madeira e miúdos seminus a correrem por entre os mais incríveis objectos espalhados ao acaso.

 

 

Esta passagem transportou-me para a presente situação que se vive no interior. O fecho de estabelecimentos de ensino e o polémico encerramento das maternidades, políticas que se sabem ser de contenção de custos mas envoltas em mentiras e contradições, não irão acelerr o processo de degradação no interior do país? Não estaremos a caminhar no sentido da indignação do General? E quantas mais políticas anti-sociais o governo socialista não sacará da cartola, para repor os dinheiros desbaratados ao acaso pelos seus antecessores em Fundações Fantasma, derrapagens financeiras inacreditáveis, salários milionários e proteccionismo político?

 

 

O Choque Tecnológico, a paixão do Pinóquio, não chegará concerteza ao interior porque não restará ninguém para benificiar dele. Sem estarem assegurados os mínimos necessários de dignidade e respeito pela condição humana, as pessoas continuarão a fugir para zonas onde sintam que o direiro ao ensino é uma realidade e não uma ilusão, que os seus filhos não terão de se levantar às cinco para se apresentarem nas escola às oito, que em caso de urgência médica não morrerão numa qualquer auto-estrada, nem as grávidas darão à luz numa ambulância em condições precárias.

 

 

Os nossos direitos estão-nos a ser retirados por gente dada a tiques de ditador disfarçada sob a capa da democracia, gente fingida que nos pede para comer meia rabanada no Natal, mas que vivem no fausto. Gente que aplica políticas de contenção salarial, mas que acumulam salários milionários. Existem à volta de duzentos e trinta deputados na Assembleia da República, mais do que na vizinha Espanha, o que não se entende muito bem. Gente que raramente coloca lá os pés, a não ser para levantar o braço quando toca a votar. Que nunca se manifesta, a não ser quando afecta no que consideram ser direitos adquiridos. Que em tempo de crise, nunca consideraram em baixar os seus salários para valores de acordo com a crise que proclamam. Que aprovam secretamente leis para seu próprio benefício e, quando inquiridos sob o aspecto moral, respondem estar dentro da lei e ninguém tem nada com isso.

 

 

Que diria o General Sem Medo, assassinado por acreditar numa sociedade justa, caso ainda fosse vivo?

 

 

Acreditem, se quiserem... mas isto já não vai com ramos de flores.

 

 


publicado por siX às 21:28
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