Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2006

Budapeste e o Chico

Chico Buarque_4.jpg

 

«Mas duas pessoas não se equilibram muito tempo lado a lado, cada qual com seu silêncio; um dos silêncios acaba sugando o outro, e foi quando me voltei para ela, que de mim não se apercebia. Segui observando seu silêncio, decerto mais profundo que o meu, e de algum modo mais silencioso. E assim permanecemos por mais meia hora, ela dentro de si e eu imerso no silêncio dela, tentando ler seus pensamentos depressa, antes que virassem palavras húngaras.» (p.61)

 

Seduzida pelo romance Budapeste, de Chico Buarque, o devorei em algumas horas, entre uma manhã de sol e uma noite de calor, às margens da Lagoa dos Patos, nos últimos dias de 2005.

 

Havia lido comentários sobre o livro e também sobre o prêmio ganho na Espanha, mas encontrar-me com ele, em plena curta temporada na praia, foi obra do acaso. Eis que, por motivo diverso, deparei-me com o título, repousando languidamente em uma vitrina de uma pequena livraria  rica em títulos, é verdade  perdida numa estreita galeria do centro da cidade de São Lourenço do Sul. Rapidamente o adquiri.

 

Primeira vez que li Chico Buarque e posso dizer, usando expressão de Garcia Márquez, que fui atrapada pelo autor de Budapeste, levada através de seu uso singular da língua portuguesa (com expressões bem brasileiras, às vezes) por um universo e personagens, ao mesmo tempo simples (cotidianos) e sedutores (em sua Estranheza), que só mesmo uma mente genial como a dele pode criar e dar vida.

 

Fica a dica da Tribo aos Caros Amigos do QD.

(e Bom 2006!!)

 

Flavia Altmayer

 

 


publicado por siX às 20:21
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2 comentários:
De Anónimo a 6 de Janeiro de 2006 às 15:18
(...) a mulher solitária que se sentou na cama é a mulher do livro que ela mesma escreveu. (Edward Hopper, Hotel Room, 1931)(?). Agradeço a "Sessão Literária", caro Tomás. abraço!
Flavia Altmayer
(http://Brasil)
(mailto:flavia_altmayer@sapo.pt)


De Anónimo a 6 de Janeiro de 2006 às 03:43
(...) Daqui a pouco, quando adormecer, a cortina mover-se-á, e o odor do tempo suave será tão ténue que parecerá que o dia transcorre noutro lugar. Esse odor do ar, como se de um mar distraído. Sem o ruído dos carros passando pela avenida, o tic-tac do relógio será uma ajuda para reencontrar, a destempo, as horas de descanso perdidas na noite do dia anterior. Corredores e quartos irão retomando vida e não saberão que ela, adormecida, os olvida na luz indistinta de um dia indiferente que tem o matiz de um sonho na sua mente. (...)

Tomás
(http://Portugal)
(mailto:tomas_daniel_postiga@hotmail.com)


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