Quarta-feira, 10 de Maio de 2006

pim pam pum

 

 

 

 

 

Objecto Cardíaco à beira de uma síncope... cardíaca!!!

 

Está bem, não está?

Não percebi qual a ideia do Valter Hugo Mãe ao permitir a publicação de um chorrilho de frases comuns sob a capa de análise literária...  

 

Sorrio, enquanto peço ao Ramiro mais uma cervejinha geladinha e mergulho no livro da polémica...

 

Quando recebi o email do Valter informando-me do decorrer do diferendo que opõe a sua editora e o autor de "Couves e Alforrecas", João Pedro George, à autora visada Margarida Rebelo Pinto, chamou-me à atenção o tom de indignação do parágrafo referente a liberdades democráticas conquistadas com o 25 de Abril, como se a indignação de Margarida Rebelo Pinto fosse coisa do passado, A-25A.

 

Passo a explicar: enquanto a grande maioria da população mundial aceita que o nascimento de Cristo marca o ano Zero a partir da qual se inicia a contagem crescente do tempo sob a sigla DC, e o que fica para trás em contagem decrescente sob AC (Bon Scott, que saudades), nós por cá somos mais originais e determinamos que o tempo se começa a contar a partir do 25 de Abril de 1974 e é designado por D-25A, e o remanescente uma espécie de Idade das Trevas Portuguesa, designada por A-25A.

 

Pisco os olhos enquanto engulo um gole de cerveja, e chego à conclusão de que o problema reside nesse mesmo ponto, na deturpação da palavra Democracia, que em mentes ditas libertárias (ou literárias?) pressupõe o facto de que hoje se pode dizer o que apetece sem ser-se responsabilizado por tal, porque caso contrário é coisa do passado, A-25A.

 

Coisa do passado eram as medievais cantigas de escárnio e maldizer, uma ladainha bem pensada que consistia em escarnecer de figuras ligadas à monarquia e ao clero, e que teve o seu apogeu já em pleno séc. XX quando Almada Negreiros, uma espécie de Leonardo Da Vinci português, escreveu aquela atoarda virulenta sobejamente conhecida como Manifesto Anti-Dantas pelo simples facto e que Almada não apreciava o estilo , tão pouco gostava do Júlio Dantas, e que arrumou com uma carreira tida como fantástica no meio literário da época. Uma coisa (lá me estou eu a repetir) bem portuguesa, essa coisa (oops!) de dizer mal do colega... invejas!

 

PIM! - berrava o meio artista, risonho com a sua própria figura e sem pensar no que dizia. PAM! - riam-se os convivas. PUM! - berravam em uníssono.

PIM PAM PUM!!!

 

Almada Negreiros desprezava o seu semelhante, essa é que é essa. Um génio? Talvez... Mas como ser humano devia ser um emplastro.

 

Eu, confesso, nunca li uma linha dos livros que Margarida Rebelo Pinto escreveu, e não posso opinar sobre a sua escrita. No entanto já li opiniões diversas, algumas nada abonatórias sobre o seu estilo por vezes rotulado de romance de cordel. Mas, verdade seja dita, os Corin Tellados deste mundo também têm o seu lugar e o seu público, ou não fosse este país o inventor do Fado e do Pimba. Acredito que, neste pequenino mundo, os que escrevem se achem herdeiros legítimos da prosa queirosiana, mas tal não lhes confere o direito de escarnecer ou denegrir a imagem de A, B ou C para o provarem.

 

A crítica inteligente é difícil, não está ao alcance de qualquer um. Um crítico é uma pessoa íntegra, de cultura ímpar e elevado grau de discernimento. Mais, um crítico respeita a obra, apesar de discordar dela... e é aí que é útil ao obreiro, pela análise construtiva e objectiva. Não me parece ter sido esse o propósito do autor do livro...

 

Eu diverti-me muito com o texto, mas acho que o João Pedro George exagerou na dose. O Manifesto Anti-Margarida é constituído por apanhados de frases , situações comuns, alguns erros e repetições. Claro que nem a Margarida se chama Dantas, nem o João se chama Almada, nem o livro terá as repercussões que o Manifesto de Almada teve na época. Mas lá que elas moem, disso não duvido, e tudo por uma questão de... orgulho intelectual!

 

Margarida Rebelo Pinto fez muito bem em reagir, se considera que de alguma forma a sua integridade como escritora foi beliscada de forma inconsequente. É que a Liberdade de uns termina quando interferem com a liberdade dos outros, e não há 25 de Abril que altere isso.

 

Bom, terminei o meu fininho e está na hora de arrancar. Coloco o livrinho na prateleira pois não vale os 8,00 Euros que pedem por ele e saio, consciente, de que não interferi com a liberdade de ninguém...

PIM!

 

 


publicado por siX às 22:41
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