Terça-feira, 12 de Junho de 2007

diário QD - betão e outras estórias do concreto

 

 

 

 

Afinal, parece que o milagre a que o Mário Lino se referiu sempre aconteceu. Bastou um estimulozito para que a prepotência passasse a meia arrogância. Bom, que a OTA vai torta, isso ninguém duvida! Nem socialistas, nem anarquistas e nem zapatistas… ou seja, tudo e todos navegam na mesma onda, ou não fosse a circunstância da localização do novo aeroporto passar a ter sido um caso de honra nacional… e também socialista! O que não dá muito bem para entender. Ainda não alcancei a urgência desta questão, quando na realidade se fecham outras “urgências”, estas bem mais necessárias! Digo-o eu, que sou do povo e pertenço a ele, e não a uma elite dita de esquerda, bem remunerada, que ultimamente dedica o seu tempo a abrir a boca para sair asneira da grossa, tão pouco frequenta “urgências”!

 

 

 

Mas, dizia, não entendo muito bem esta necessidade premente em construir um novo aeroporto! Afinal, onde estão os números que provam que o país vai sofrer uma enchente de turistas “pé-descalço” daqui a meia dúzia de anos? E vêm visitar o quê? A região Norte não deve ser! Quem quereria visitar uma das zonas mais pobres da Europa, fotografar a miséria, percorrer o seu interior degradado e deserto? Pois, Lisbon é o que é! Esta centralização de poderes absurda ainda não foi objecto de estudo, mas estou convencido que daqui a algum tempo ainda se vai gastar alguma tinta na descodificação de determinados sintomas aos quais serão apontados alguns distúrbios mentais, próximos da esquizofrenia! Enfim, pouco falta para se construir um muro em seu retorno – aliás, muito na moda – que isole esta cidade da escumalha que a rodeia.

 

 

Mas já me estou a desviar do assunto. Dizem, com certeza numa base de números fantástica, que o aeroporto de Lisbon atingiu um ponto crítico. Deve ser pela mesma razão que o aeroporto Sá Carneiro está às moscas! Ainda não há muito tempo, efectuavam-se voos directos para qualquer ponto do globo a partir de Sá Carneiro. Agora não, tem-se que fazer escala em Lisbon! Não sei se estão a perceber a intenção desta obrigatoriedade, mas tem algo a ver com o distúrbio mental, acho! Só pode! E, afinal, quem quer ir a Lisbon quando se tem o aeroporto de Vigo aqui mesmo ao lado?

 

 

 

Falam-se em verbas malucas, como se de cêntimos se tratasse. É verdade. Mais milhão menos milhão, na construção de um aeroporto cujo custo está avaliado em milhares de milhões, não me parece anormal de todo! Sabendo-se que a Saúde corre sobre rodas, e que a Educação – aliás, uma antiga paixão de um outro socialista de renome – rola sobre carris, tenho que concordar que esses desviozitos não serão demais para alimentar a indústria da construção civil, que vive uma situação deveras precária muito motivada pela acção de uns chatos ambientalistas que vêm fantasmas em tudo quanto é terreno. E, se há coisa que o país necessita, é de betão! Muito betão! Porque é desta matéria que é formado o raciocínio daqueles que nos dirigem, ou assim o pretendem. Eu poderia referir o raciocínio de alguns famosos como de Betão! O de Marcelo Martelo, por exemplo… Ou o do Padre Louçã, dito Francisco. Marques Mendes, não. Esse não passou do cimento, coitado. Mas o rei do betão é sem dúvida Sócrates José, um antigo ambientalista a quem o deslumbramento do poder provocou uma espécie de “click” mental, causadora do distúrbio.

 

 

 

Enfim, estou desolado. Canso-me com esta escrita aborrecida porque nada de bom tenho para dizer. O país está a pique e continua megalómano, mas não faltará quem me contradiga e pense exactamente o contrário, que o que o país – Lisbon – mais necessita é de um excelente, enorme e fantástico aeroporto, o cerne e a resolução dos nossos problemas.

 

 

 

Desconheço a realidade da base de tal empreendimento, excepto o que se diz por aí, como qualquer mortal. Mas sei que o aeroporto com mais movimento da Europa na época estival fica numa ilhota aqui próxima. Falo do aeroporto de Maiorca, em Espanha. Quem já visitou a ilha, reconhece autenticidade nas minhas palavras. E sabe também que as dimensões de tal aeroporto não são muito superiores às do aeroporto de Lisbon, quiçá de Sá Carneiro. No entanto, é impressionante a quantidade de aviões que aterram e descolam por dia, fruto da organização tecnológica aliada à competência humana. Mas, que significam estes frágeis exemplos perante uma mentalidade de betão? Quem sou eu, afinal, para discorrer sobre tais assuntos, eu, que deveria aceitar sem um pestanejar a veracidade dos números, a grandiosidade do argumento de gente iluminada! No fundo, pertenço a uma minoria – estou cada vez mais convencido disso – preocupada com o futuro. Não o meu, mas o dos Meus! Olhando para eles, tremo só de pensar que o seu futuro será de betão…

 

 


publicado por siX às 23:18
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2 comentários:
De Conde da Vila a 13 de Junho de 2007 às 09:49
A Ibéria (preços ceca de 15 a 20% mais baixos que a TAP) tem diversos voos diários entre o aeroporto Sá Carneiro e Madrid... a partir de Madrid há tudo e mais alguma coisa...


De seforis a 14 de Junho de 2007 às 03:39
Quem és tu? Pensei que fosses o Sócrates :-)


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