Sexta-feira, 9 de Março de 2007

caciques, manda-chuva e outros tutus

 

 

 

 

Hoje está na moda apelidar de Cacique todo e qualquer mortal que ocupe um lugar de destaque por vários períodos de tempo, e de caciquismo a sua forma especial de estar e agir, ditada por considerações pessoais ou motivações interesseiras. Sendo intencional, é horrível e deselegante apelidar alguém de Índio, como vem sendo vulgar hoje em dia. Porque é isso mesmo que me vem à memória, os velhos “westerns” com tipos sujos e dedo leve no gatilho e índios, montes deles, eufóricos a bramir machados e arcos e flechas, menos um, o mais sereno e circunspecto, olhar penetrante e feições marcadas, que eu identificava logo como o chefe, ou seja, o Cacique!

 

 

 

Por cá, existe esse mau hábito, principalmente entre as hordas políticas. É, por exemplo, vulgar, o presidente do PSD, Pedro Brás Marques, referenciar-se ao trabalho do Tio como caciquismo! E, quando ele o faz, imagino logo o Tio de toucado de penas, olhar penetrante e circunspecto, em pose yoga no interior do seu “Tipi”, porque tenho uma imaginação fértil!... Mas como o Pedro Brás Marques o que gostava mesmo era ele ser também Cacique, imagino-o na mesma posição, o mesmo olhar penetrante e circunspecto.

 

 

 

 

Há relativamente pouco tempo, assisti no canal Odisseia a um programa interessantíssimo sobre os Fazedores de Chuva no Brasil, todos eles de olhar também penetrante e circunspecto, atentos aos movimentos das nuvens ou da alteração comportamental das formigas. A minha imaginação, claro, levou-me à associação destes Fazedores com os Manda-Chuva nacionais, termo bastante comum há uns anos a esta parte para identificar os todo-poderosos, e que foi agora substituído pelo actual Cacique. Eu, particularmente, acho muito mais piada ao primeiro que ao segundo, por ser mais nacional e menos índio.

 

 

 

 

Mas a minha preferência recai sobre o Tutu, termo importado do Brasil para definir os papões locais e com o qual nós, portugueses, mais nos identificamos. Por exemplo, vejo José Sócrates não como um Cacique mas sim como um Tutu, muito motivado pela posição política que ocupa e habitual prepotência, sem esquecer o seu olhar penetrante e circunspecto! Indivíduos politicamente deslocados como o Armando Vara, gestores públicos que vivem das boas graças do governo e assumem o seu parasitismo como se de uma profissão se tratasse, cabem também neste campo fértil de imaginação penetrante e circunspecto! Mas, quanto a mim, o maior dos Tutus é o actual presidente do Banco de Portugal, Victor Constâncio, indivíduo muito circunspecto e de olhar muito penetrante, que raramente aparece! E, quando o faz, nunca é por uma boa razão! No entanto, é sabido que ganha anualmente o dobro do seu homólogo americano, o tal continente considerado o mais rico e poderoso, circunspecto e penetrante do planeta, e do qual importamos o Cacique!

 

 

 

 

É ou não, o maior dos Tutus?!

 

 

 

 

 

 


publicado por siX às 17:44
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2 comentários:
De Kafka a 9 de Março de 2007 às 20:55
Great post, pá! Um abraço:)



De siX a 11 de Março de 2007 às 19:06
abraço, kafka :)


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