Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

diário QD

 

 

“O futuro fazemo-lo nós.”

 

 

 

Sempre acreditei nesta frase, que as nossas acções são determinantes para a construção do nosso futuro. No entanto, para lá chegar, necessário é que os actos daqueles que nos governam sejam preponderantes no sentido da criação de oportunidades às novas gerações, que terão a responsabilidade de as melhorar para entretanto as adjudicar às seguintes. E não é o que se passa. É com alguma apreensão, um sentimento conspícuo, que vejo a revolta popular para os lados de Valença. Gente apreensiva com o inusitado fecho da Urgência e a carga policial a que foi sujeita, sinal de uma determinação política mais próxima de uma ditadura que de uma democracia.

 

 

 

Também por cá, em Vila do Conde, está previsto o fecho da Urgência. O nosso problema não é a distância, tão pouco a crueldade de caminhos esburacados ou estradas interiores perigosas e demoradas. É sim o fluxo de utentes que por lá passam, principalmente em tempo de estio. O nosso presidente tem essa noção e preocupa-se, tal como um Pai… No entanto, prefere o caminho do diálogo em vez do assumo popular. É uma opção, caso existisse alguma abertura por quem assume algumas liberdades ditatoriais, o que se não verificou até agora. Mário Almeida deve ter ficado algo desorientado e proferido para com os seus botões - Que grande merda! -, com a desculpa do Ministro da Saúde quando este aludiu uma gripe para desmarcar uma reunião agendada, mas que saltou da cama perante a demonstração de arrojo popular dos Flavienses. O ministro gripado desorientado adoentado não tem culpa. É um pau mandado do Pinóquio, que não dá a cara pelas suas decisões e mantém assim os índices de popularidade que lhe darão cobertura até às próximas eleições. Talvez nas entrelinhas esteja escrito:

 

“Tens que aguentar. És do PS e não deves manifestar-te. Os autarcas desordeiros são do PSD, e não podemos ter elementos do PS envolvidos em manifestações e outras acções de cariz popular, ou não conseguiremos tratar este problema como uma situação política.”

 

 

 

Mas eu iniciei esta posta a falar do futuro! Um futuro num país cada vez mais dividido entre Norte e Sul, onde Lisboa manda em tudo e o Porto não manda em nada! Um país em que o fosso divisório entre os mais pobres e os mais ricos alargou, em que estudar significa cada vez mais desemprego, onde ainda se morre por falta de assistência médica. É assim o meu país, dividido em zonas ricas e zonas pobres. Eu vivo na zona mais pobre do país, o Norte! Que, incrivelmente, é onde mais se trabalha mas também a mais explorada por gente sem escrúpulos, que garantem o seu futuro à custa da miséria de muitos.

 

 

                                    

 

É por essa razão que aprecio cada vez mais a Ilha da Madeira e o seu Imperador, Alberto João Jardim. Admiro a sua rebeldia, inteligência e espírito acutilante. O chamar os bois pelos nomes quando necessário, o populismo aliado à sua figura bizarra e determinação implacável. Foi graças à sua personalidade indómita e dedicação pela sua gente que a ilha da Madeira evoluiu de uma região esquecida e pobre para a segunda mais rica. Uma dedicação que lhe atribuiu uma popularidade sem precedentes e provoca a inveja de governantes, autarcas e presidentes.

 

 

 

Ao, inesperadamente, provocar eleições antecipadas na Madeira motivado pela aprovação da nova lei das Finanças Regionais que, no seu entender, vai prejudicar quem lá vive, Alberto João provoca o governo socialista de Pinóquio. Não vai conseguir inverter a lei, mas garante mais dois anos de mandato e enfureceu os socialistas que, apesar de interpretarem tal acto com a costumeira indiferença, não conseguem disfarçar o incómodo da afronta.

 

 

 

Politicamente, é inegável que Alberto João Jardim é implacável e duro. No entanto, o sentimento pelo bem comunitário destaca-o dos seus pares, o que o torna inquietante, um «outsider» da política. O bem-estar dos seus concidadãos está acima de qualquer interesse partidário, e ele não o esconde. Por essa razão, os naturais fixam-se cada vez mais, quebrando o fluxo emigratório dos que por razões óbvias abandonavam a ilha.

 

 

 

Tomara a grande maioria dos governantes, autarcas e outros que tais, que pululam por esse país fora, demonstrassem em actos e atitude metade do que Alberto João Jardim conseguiu ao longo destes anos, em vez das eternas promessas ocas e vãs que nos enchem de perplexidade e assombro relativamente ao futuro.

 

 


publicado por siX às 14:02
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2 comentários:
De candida a 5 de Março de 2007 às 16:56
admiras mesmo? o tipo é um cacique


De siX a 6 de Março de 2007 às 19:20
olá candida... decaciques, manda-chuvas e tutus está o país repleto... uns piores q outros, outros melhores... este distingue-se!!! enfim, é só isso...


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