Sábado, 27 de Janeiro de 2007

um passeio a pé

 

 

Adoro passear por Vila do Conde, logo pela manhãzinha. Visto o fato de treino e desço em direcção à Praça da República. Passo pela recuperada Casa de S. Sebastião, já faz tempo…

 

 

    

 Fotog. by Rep Xis

 

e tempo faz que continua fechada, privando assim os vilacondenses de usufruírem dos seus jardins. Defronte, um outro solar em ruínas reclama a sua vez, ao que parece ser no futuro local de exposições de arte e mobiliário,

 

 

                  

            

 

 

que Vila do Conde é uma terra de contrastes… enfim, sigo em frente. Chegado ao rio, paro para descansar na sua berma. À minha esquerda ergue-se majestosamente o Mosteiro de Santa Clara. Consta que vai ser transformado em hotel de luxo e o arquitecto responsável é o renomeado Siza Viera, um arquitecto que ficou famoso pela manipulação da luz em interiores e que agora se dedica ao paisagismo, o que não é bem a mesma coisa pela qual famoso ficou.

 

 

 

 

O cheiro que emana do rio incomoda.

 

 

 

 

Outrora movimentado, não passa de um esgoto gigantesco que corre em direcção ao mar. Sinais de um progresso de que autarcas se orgulham por ele acima, mas eu sigo rio abaixo, em direcção à foz. Passo junto à zona dos antigos estaleiros e lembro a azáfama dos homens numa faina rara, de tão desvalorizada que foi que a deslocaram para a outra margem, terminando assim com um ciclo ancestral, tudo em prol do progresso.

 

 

 

 

 

O mesmo progresso que construiu uma marina linda, pequenina e vazia no mesmo local onde antigamente se elevavam traineiras e o bota-abaixo era efectuado em festa pelos naturais. O aspecto social ficou esquecido nesta zona. Quem vivia do movimento criado pelos trabalhadores, viu-se de repente privado do seu sustento. Agora, a zona é velha e decadente, pouco convidativa para quem espera a visita dos ricos pela via marítima. Diz-se que ali, nas suas águas, vão colocar uma nau quinhentista, para turista ver e apreciar. Uma espécie de museu! E eu nem quero imaginar o custo de manutenção de tal aparelho!!! À minha direita vislumbro o Convento do Carmo, utilizado para palestras, exposições e concertos e que se encontra agora encerrado, vá-se lá saber porquê!

 

 

 

 

Um pouco mais à frente, dou de caras com a nova ponte que une as duas margens da doquinha. Destruíram a antiga, num exercício da vontade soberana sobre a das gentes da vila.

 

 

  

 

 

A actual é feia e sem as linhas elegantes que a antiga ostentava. Sendo de ferro, contrasta vivamente com o granito que a rodeia. A Senhora do Socorro, no alto da sua ameia, é testemunha deste acto inexplicável…

 

 

 

 

Rodeio a ponte e paro na pastelaria “Ao Bom Doce”, indiferente ao progresso das pastelarias de fraca qualidade que crescem como cogumelos pela Vila e mantém a tradição da excelente doçaria, pela qual é conhecida. Sigo junto à berma do rio até ao local conhecido pela “Seca do Bacalhau”, que empregava imensos trabalhadores. Da seca do bacalhau apenas o nome ficou, porque a empresa que se dedicava à cura do peixe pelo método tradicional, fechou as portas devido às exigências do progresso. Estranho que agora o bacalhau mais procurado seja aquele pelo qual a sua cura tenha sido o até então efectuado! No seu local ficou um imenso vazio. Em frente, igualmente vazios, estão os imensos armazéns que, fala-se, vão ser transformados em restaurantes, bares e discotecas.

 

 

 

 

Um jornal local mencionou até por várias vezes a visita do jogador Figo e um seu sócio no campo da restauração a essas instalações, numa atitude de subserviência e parola perante os milhões do milionário jogador. Do Figo, sabe-se, está nas arábias a coleccionar dólares. Dos pavilhões, não se sabe nada.

 

 

 

 

Chego por fim à foz. Do meu lado esquerdo, o edifício dos Socorros a Náufragos continua imponente no horizonte e desactivado por falta de verba. Tanto se fala em milhões, tanto ricaço em Vila do Conde, mas nenhuma organização ou particular disponibiliza verbas para arranjar o degrau que impede o acesso ao rio do barco salva-vidas se uma urgência assim o exigir.

 

 

 

 

Sabe-se que está disponível um terreno para a construção de um heliporto… Como de costume, pensa-se em grande! Assim nos foram habituando. No entanto, tal pensamento, por muito nobre que seja, não é meritório quando a intenção é a prevenção no salvamento de vidas humanas… e tenho cá para mim que é preferível um velhinho barco a remos no mar que um terreno despojado de lindas máquina voadoras. Na minha caminhada passo pelo monumento alusivo à tentativa de desembarque dos liberais em 1832 na praia da Senhora da Guia.

 

 

 

 

Para trás fica a milenar Capela da Senhora da Guia, protectora das gentes do mar, agora recuperada.

 

 

  

 

 

Em frente está o magnífico Forte de S. João, ele também recuperado. A ideia passava por aproveitar as suas muralhas para no seu interior edificar uma unidade hoteleira que seria inaugurada com toda a pompa e circunstância. Assim aconteceu, tal como prematuro foi também o seu encerramento. O porquê permanece num daqueles mistérios insondáveis, uma espécie de secret file. Agora, o Forte é alugado nos meses de verão e transformado em discoteca, numa muito alusiva ideia progressista mas não futurista. Continuo pelo corredor junto às praias, desprovido de luz motivado pela romântica ideia do fantástico arquitecto considerar que o mar deve ser observado na penumbra, um pouco à imagem dos velhos filmes a preto e branco de Hollywood. Tal ideia luminosa afastaria os naturais da praia pois, tal como o arquitecto, também os amigos do alheio gostam da penumbra para levar a cabo impensáveis objectivos numa terra que se pretende pacífica, mas que os diários, de vez em quando, nos lembram que não é bem assim.

 

 

 

 

  

Desemboco em frente às duas únicas casas que resistiram à desenfreada ambição dos construtores, conhecidas pelos enigmáticos nomes de “Judeu” e “Santa Fé”.

 

 

 

 

No entanto, a Casa de Santa Fé já se encontra taipada, pelo que o seu futuro é uma incógnita. É difícil resistir aos avanços dos construtores, a partir do momento que se permitiu a especulação imobiliária. A especulação dos preços dos terrenos foi boa para os construtores, mas má para os naturais da vila. Os preços impensáveis dos apartamentos só estão acessíveis a bolsas de forasteiros endinheirados que utilizam Vila do Conde como dormitório de luxo. Não são parte activa na vida social da Vila, não se integram na comunidade. Os naturais são assim despejados da sua terra, por força de uma política de construção e recuperação de imóveis, mas desintegrante sob o aspecto social. Sigo em frente, em direcção à orgulhosa comunidade piscatória das Caxinas. Ali não há casas, apenas o muro que rodeia a propriedade conhecida como “Quinta do Engº Carvalho” e que ocupa toda a extensão entre Vila do Conde e as Caxinas. Como a quinta foi amuralhada em terreno pertencente à praia, ainda possui no seu interior as antigas dunas assim como um pinheiral fantástico, que muitos gostam de apontar como “Pulmão da Cidade”.

 

 

 

 

Ao que parece, de acordo com palavras do actual autarca, o terreno está futuramente destinado à construção de um condomínio fechado e de uma Fundação para o qual ainda não se sabe qual, mas lá se há-de chegar. Defronte à quinta, olho com desgosto a praia que frequentei com amigos.

 

 

 

 

Sem nome, apelidamo-la de “Praia do Rock’n Roll”. Possuía o maior areal das praias vilacondenses e era óptima para jogos de futebol e de acesso directo. Hoje, quem olhar para as dunas encostadas ao muro da quinta e para o aspecto da praia, não pode deixar de ficar impressionado com o desnível existente.

 

 

 

 

O acesso à praia já não se efectua de forma directa, mas sim por escada. Da estrada ao areal são, no mínimo, 3 a 4 metros de altura e em todo o seu comprimento de 1,5 Km, mais coisa menos coisa. Areia que desapareceu com as obras de requalificação da zona decorrentes no verão passado. Chegou-se a comentar sobre camiões que, pela calada da noite, lá se iam abastecer… E de dia, era o corrupio que se sabe! É com desgosto que lembro a minha visita às praias da Costa da Caparica e a minha estupefacção perante a dura realidade. A conquista selvagem de terrenos dunares é impressionante, de tal forma selvagem que as praias, propriamente ditas, não existem. Só com a maré baixa, é possível caminhar na areia. Quando sobe, os banhistas têm que se empoleirar nas pedras. Agora o mar reclama o que é seu. Tenho pena? Não, não tenho.

 

 

 

E é essa sensação de deja vu estupefacto que possuo ao observar a praia. O mar ali é perigoso e, quando a maré sobe, não é possível frequentar a praia com o risco de ser-se engolido pelo mar. Mas sempre podemos observar as ondas a baterem no muro de pedra construído propositadamente para o efeito, numa visão realista e progressista da prevenção, não fosse o diabo tecê-las e provocar a derrocada da estrada.

 

 

 

Nas Caxinas, atravesso a estrada e sento-me na esplanada do Café Suvani. Gosto de ali estar pela manhã, quando o trânsito rareia e se pode respirar o ar do mar, apreciar as suas cores. Estranho é uma esplanada estar em cima de alcatrão, a paredes-meias com o estacionamento! Não a valoriza minimamente e é feio. Num post ainda recente, um vilacondense referiu as “pedrinhas” com o devido desprezo que o comentário exigia, mostrando a sua preocupação pelas possíveis escorregadelas que tal piso, humedecido, provocaria, daí resultando cabeças rachadas e pernas e braços partidos. Sabendo que a nossa Urgência está de malas feitas para a vizinha Póvoa e da incapacidade da nossa autarquia em o impedir, seria realmente uma chatice.

 

Pegando na ideia ridícula de que o desequilíbrio é provocado por uma arte secular e muito portuguesa (não são muitos os relatos de cavalos de pernas partidas no tempo do Marquês de Pombal), não me desgostaria ver aqueles enormes passeios de alcatrão com as ditas pedrinhas no seu lugar e, quem sabe até, desenhadas com motivos decorrentes da faina da pesca.

 

 

 

 

As esplanadas ficariam valorizadas, mais atraentes e distintas. No fundo, toda aquela zona sairia a ganhar. No verão passado, estive em Borba e Vila Viçosa, onde o mármore é rei. Lá, principalmente em Borba, o mármore é utilizado para tudo, inclusive na construção de passeios e até de alguns caminhos. Bom, é sabido que o mármore é bem mais escorregadio que o calcário. E é com este pensamento divertido que me dirijo para casa, a imaginar os habitantes de Borba e Vila Viçosa em pleno desequilíbrio, reis aos tombos dos seus cavalos, carruagens destruídas, carros desgovernados pelas descidas íngremes… e um vilacondense espantado que a todos espantava, ao declarar: “Eu bem dizia!”

 

 

 

                             

 

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publicado por siX às 17:17
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14 comentários:
De anonimo vileiro a 27 de Janeiro de 2007 às 19:38
Quem le este comentario parece que em Vila do Conde esta tudo mal. Nao compreendo como o senhor que é tão atento ás noticias e ao futuro da nossa terra ainda não mencionou o estudo que um jornal de renome nacional efectuou colocando Vila do Conde como a 10ª cidade com melhor nível de vida à frente de capitais de destrito.
A rival Povoa de Varzim que tantas vezes é comparada à belissima Vila do Conde pelo que sei nao esta na lista dos 40 + (nem a pedrinha escorregadia lhe levou a bom porto).
Penso que fui eu que mencionei que a pedrinha portuguesa é escorregadia. Nao disse nenhuma mentira ou secalhar o problema é do meu calçado. Como desportista considero-a desconfortavel, como cidadão com bons gostos considero-a bonita mas com custos de manutenção elevados para a manter com o mesmo padrao de beleza ao longo dos tempos!Para centros historicos acho lindissimo e devemos de a manter e pelo que denoto os passeios vilacondenses demonstram esse cuidado... (Pelo que constatei fui mal interpretado em relação à pedrinha portuguesa...) pois bem...acho que existe outro problema em relação à pedrinha. Numa extensao de 3 kilometros e com uma imensa largura nao deveria de ficar muito acessivel mas sou leigo na materia.
Penso que o projecto da marginal para uma zona de praias esta muito bem conseguido. Sao opinioes...
Em relação à nova mini-marina é a primeira pessoa que demonstra o desagrada em relação à obra. Pessoalmente considero a muito bem conseguida.

Boa noite.


De siX a 28 de Janeiro de 2007 às 20:31
Não sei de onde foi tirar essa ideia de q acho tudo mal. A única coisa q faço é, baseando-me no q vejo e nos meus próprios conhecimentos, capacidade analítica e o livre arbítrio de q muito me orgulho, efectuar um relato de acordo com a minha visão. Porque haveria eu de gostar de tudo o q por cá acontece, se não é essa a minha opinião? Não deveria ser assim? Será que vivo em algum estado dominado pelo medo ou devo recear algo? Você recea algo?! Quanto ao 10º lugar, se tivesse lido a resposta ao seu 1º comentário, não colocaria essa questão. Aliás, não entendo muito bem porque a opinião de um jornal deve ser obrigatoriamente tida em conta como se de algo religioso se tratasse. Se o dito jornal tivesse recambiado VC para a 40º lugar, qual seria a sua opinião? Mais, se a memória não me falta, Tavira ficou nos 1ºs lugares, penso... e a ser assim, até acho injusto para VC. Conheço Tavira, e a única coisa que me encanta por lá é a Ilha a sopa de peixe do Pedro. Quanto ao resto, pareceu-me sempre com problemas estruturais que nem em 20 anos estarão resolvidos... no entanto, diz-se q se vive bem por lá!!! Quanto às pedrinhas, (lá voltamos ao mesmo), foi o amigo que puxou o assunto. Já percebi que é um leigo na matéria e só as conhece pelos dedos dos pés... no entanto, se fosse atento ao q se escreve, apenas frisei o local das esplanadas frente aos cafés, e não nos três km! precipitação sua, eu entendo... e tb não o vejo a saltitar por cima das mesas... sabe, até acho bem o passeio junto ao mar. Quanto à marina, já disse q a acho bonita. A alternativa é que me parece ter sido uma escolha infeliz, mas o futuro o dirá, não é assim? Lembre-se do forte... Mais uma vez, agradeço a visita e o comentário. É sempre boa a troca de pontos de vista e são um incentivo à continuação do blog :)

boa noite


De Anónimo a 29 de Janeiro de 2007 às 12:13
Claro que não podemos afirmar que tudo esta bem em Vila do Conde esta em algum sitio do mundo? Nao me parece. So quero relembrar o que era Vila do Conde à 15 anos atrás e o que é hoje. Vila do Conde cresceu bem e com qualidade. Cresceu com um sentido onde esse trabalho esta a ser reconhecido em todo o lado.
Em relação ao que coloquei aqui em causa é verdade que os jornais nao tem grande credibilidade e neste Portugal faz me um pouco de confusão a credibilidade dos orgãos de informaçao, porque para as pessoas existe noticias que tem sempre grande credibilidade...por exemplo no caso do "apito dourado" onde tudo se escreve è limpo como a agua, e outros casos como este do estudo sobre qualidade de vida que nao tem credibilidade nenhuma... Fica ao criterio de cada um é verdade. Tirando esse estudo que aqui mencionei e analisando eu proprio a nossa situação e a situação do resto do país afirmo e repito...Vila do Conde é um dos locais mais bonitos para se viver e com grande qualidade de vida. Discorda? Então nao pode afirmar que conhece Portugal...ou a realidade portuguesa...

Nao mencionou aquele estudo mas podia ter relatado outra situação aqui no seu blog...

Podia ter colocado aqui uma noticia sobre uma visita estranheira recente à nossa terra...nesse nao pode por em questão a credibilidade! E o que vieram ca fazer? Analisar o restauro da parte antiga de Vila do Conde e pelos vistos saíram daqui muito impressionados! inclusive vão seguir o mesmo modelo para a terra deles... pois bem...aqui neste belo blog nem uma palavra sobre o assunto...e ja la vão uns 2 meses.



De siX a 29 de Janeiro de 2007 às 23:15
Mais uma vez, procura tirar coelhos da cartola, qual mágico, disparando ao acaso qual pat garrett e acaba por dar morteiradas no pé... a incapacidade de se exprimir racionalmente é, na verdade, cansativa, desculpe q lho diga. O descritivo do Passeio Vilacondense é bem real, baseado em factos e vivências, para os quais procurou ignorar ou assobiou para o lado e não refutou nem uma com consistência. Agarrou-se ao facto de Vila do Conde ser linda... é um facto, é linda sim, espero que assim continue. Mas já o era no passado e, ao procuarar ser melhorada, julgo q deve sê-lo com perspicácia, visão e sabedoria. Uns dias atrás tive a oportunidade de ouvir na rádio um arquitecto, daqueles não renomados, que disse o seguinte: autarcas ao fim de muito tempo no poder têm a tendência de alterar os espaços públicos de acordo com a sua própria estética, o que é um erro... E percebe porquê? Porque estamos a falar de espaços PÚBLICOS, que são pertença PÚBLICA. Os autarcas não são donos de nada, lembre-se disso. Por exemplo, não vejo a necessidade de construção na Quinta do Engº Carvalho, quando o espaço estiver devoluto. Você vê? Não vejo a necessidade da construção do empreendimento optimist na zona dunar de Azurara. Você vê? Assim como não vi a necessidade de criar uma marina pequena naquele local, colocando um ponto final nos estaleiros, uma herança que na minha opinião devia ser preservada, um aspecto único, turisticamente atractivo, quando não faltava terreno para sua construção em outro ponto, por exemplo à entrada da barra. Ao destruirmos a nossa cultura para a transformar em memórias, corremos o risco de Vila do Conde um dia se transformar num imenso museu a cheirar a bafio. Numa concersa aberta e inteligente, você deveria ser capaz de dizer "sim, mas ..." e expor o seu ponto de vista com consistência, mas não. Preferiu o caminho mais fácil, escarnecer do blog, dos seus colaboradores e todos aqueles que o apreciam e valorizam, o senhor-que-tudo-sabe. Pensa que gosta mais de VC do que eu e todos os que por aqui passam? Se conhecesse a filosofia do "belo blog", não faria insinuações descabidas de bom senso. O blog não esta ao serviço de interesses ou qualquer organização e o esforço que é dispendido para o manter há 4 anos tem sido hercúleo. E se o faço é por consideração aos que visitam este espaço, principalmente os que por esta ou aquela razão estão em outras paragens, mas mantêm o apego à terra e aqui encontram um espaço que também é seu. Você não imagina a quantidade de mails que recebo de vilacondenses que se encontram por este mundo fora... Como pode desprezar isso? E voltando ao esforço mantido pela constante actualização do blog, é verdade que eu não chego a todas. Por essa razão, me rodeio de colaboradores quando tal é possível e que preenchem algumas lacunas. Tem que ser, quando se sai de casa às 7 e se chega às 21, 22. Por essa razão, escrevo directo, a maior parte das vezes de memória porque não há tempo para pesquisas... e por vezes a memória prega-me partidas, como aconteceu com a questão das 10 mais. Apontei Tavira? Bem podia ser Beja :). Quero que saiba que este espaço sempre esteve aberto à discussão frontal, aberta e intelectual. Por aqui já passaram dirigentes e membros de diversos partidos que utilizaram este espaço na prossecução de uma ideia ou polémica, sem no entanto serem desagradáveis. É uma boa forma de estar, não acha? E quero que saiba quando no seu juízo achar que algo deveria ser dito e não o foi, não seja retrógado ao ponto de achar que foi propositadamente. Escreva um mail para o QD, q terei todo o prazer em o publicar.


De anonimo a 30 de Janeiro de 2007 às 01:19
Em momento algum tencionei ofender a dignidade de alguem e muito menos criticar o trabalho que tem vindo a ser efectuado por este espaço.A minha intenção nunca foi levar a conversa para um discurso ofensivo em algum momento. Se foi isso que dei a entender resta-me um pedido de desculpa.
Por falta de tempo admito que os meus comentarios têm sido feitos num raciocinio pouco pensado daí a falta de consistência que menciona.
Para terminar com esta troca de ideias relativamente a este assunto vou tentar ser o mais consistente possivel ja que disponho um pouco de tempo.
Venho praticamente todos os dias ao seu blog e começo a conhecer um pouco as suas ideias e a sua linha estrategica relativamente a Vila do Conde, onde nao me identifico claramente com ela. Vou responder por topicos os assuntos que mencionou na ultima resposta que me deu.

Relativamente ao arquitecto que ouviu na rádio não percebi onde tencionou chegar, em termos de espaços publicos penso que não pode aplicar essa linha de pensamentos a Vila do Conde. Temos varios exemplos bem recentes, repare: Praça Jose Regio, Parque João Paulo II, Praça jundo à Doca, os longos jardins da Alameda, Julio Graça, o novo espaço verde junto à futura avenida do Castelo são alguns dos exemplos de belos espaços publicos.

Relativamente à Quinta do Engº Carvalho sinceramente não conheco o projecto por isso não tenciono alargar muito a minha opinião. Reparo sim que neste tipo de projectos onde envolve areas com hectares de terreno haja sempre um investimento privado.Temos por exemplo o caso polemico que esta a acontecer na autarquia de Lisboa, temos tambem o exemplo do Parque da Cidade no Porto e em Vila do Conde é normal que aquela area tambem venha a suscitar varias opinioes.

Relativamente ao antigo estaleiro compreendo o seu ponto de vista. Questiono é se estava a dar rentabilidade a quem estava a explorar aquele sector.Compreendo que na sua memoria esteja o estaleiro sempre em mente, eu talvez ja nao veja assim, porque devo de ser de uma geraçao mais recente. Mesmo assim considero que o local vai ficar imortalizado com a colocaçao da Nau e a galeria relembrando os antigos estaleiros.

Por ultimo quero deixar claro que a intenção da minha participação é somente discutir os varios pontos de vista que cada um tem relativamente a determinado assunto e nunca entrar em guerras pessoais e muito menos ser ofensivo.

Gosto muito de frequentar o blog e tenciono continuar a faze-lo.




De siX a 30 de Janeiro de 2007 às 22:25
Ok.
Qdo ouvi o arquitecto referir esse aspecto (q julgo não ter sido de forma leviana, mas na prossecução de uma política de ordenamento e harmonia no interior das cidades levada a cabo pela Presidente da Ordem dos Arquitectos), lembrei-me de imediato do caso da doquinha. Durante estes últimos trinta anos, tricas políticas à parte, não guardo memória de um pronunciamento popular sobre as mais diversas actividades camarárias. No entanto, neste caso, o descontentamento (julgo não exagerar) foi quase geral. Os agentes camarários deveriam parar e repensar o assunto. Era a sua obrigação! Afinal, o lugar que ocupam provém dessas mesmas pessoas que agora protestavam a destruição da ponte. Aquele espaço é público e não pertença de ninguém. A ponte não oferecia segurança? Reforçava-se a ponte, ou destruía-se e reconstruía-se uma nova dentro das mesmas características, com resguardos em pedra, mantendo a traça e linhas tão queridas. Acredito que resguardos em pedra seriam bem mais eficazes em termos de segurança que aqueles ridículos varões. Mas não! Teve que prevalecer a vontade de meia dúzia, ou de um só, perante a indignação dos demais e levar a sua avante. Está correcto? Penso que não. A antiga durou 100 anos! Esta, tenho a certeza, não aguenta 50.


Quanto ao aspecto dos estaleiros, eu entendo a sua posição. Não sabe se seria economicamente viável a sua continuação naquela zona. Aí é que está o busílis da questão. Não sabe você, não sei eu, não sabe ninguém! E não deveríamos saber? Então, se se vai tomar uma atitude que afecta a paisagem vilacondense tal como a conhecemos, as suas tradições, todo um aspecto cultural e toda uma história, arruma-se o assunto para o lado e avança-se perante uma ideia?
É que, veja bem, não se trata apenas de recuperar um imóvel fixo, um solar, mas sim da transformação radical de um espaço que tem tanto de implicação histórica e cultural como social! Aqueles que viviam do movimento dos estaleiros foram consultados? Acha que tiveram alguma alternativa? E você, não gostaria de repensar o assunto, repesar os prós e os contras perante tal iniciativa? Eu gostaria, porque acho que tenho direito a exprimir a minha opinião sobre o espaço que todos usufruímos, assim como a minha indignação quando discordo do rumo de determinadas posições. Espero sinceramente estar enganado neste aspecto, e já no próximo verão ver a marina repleta de barcos. È necessário que assim aconteça, para bem de todos nós.

Referiu que Vila do Conde evoluiu e bem nestes últimos quinze anos. É verdade. Mas evoluiu também sobre outros aspectos, esses menos bons. Se há 15 anos havia movimento e trabalho em Vila do Conde, este praticamente extinguiu-se. Os postos de trabalho existentes resumem-se a lugares públicos espalhados pelas diversas instituições criadas, alguma restauração e pequeno comércio. E quanto a este, está em extinção. São cada vez mais as lojas e estabelecimentos que fecham, porque o aspecto social que deveria acompanhar o desenvolvimento foi obviamente esquecido. Aqueles veraneantes que cá possuíam casa e eram presença constante no burgo, gastavam aqui o seu dinheiro, enfim, davam colorido e vida à Vila, desapareceram. O verão passado foi surpreendentemente escasso de veraneantes. Via-se pela pouca afluência de banhistas na praia, um sinal deveras preocupante de que algo de menos bom se está a passar. Eliminou-se o circuito automóvel num piscar de olhos, considerado o mais belo do país pelas suas características e uma mais-valia em termos turísticos. E que ganhamos nós? Um mar de asfalto e um parque de estacionamento gigante. Será que se pensou em alguma alternativa? Tenho a certeza que se ao renomeado arquitecto fosse colocada a questão da necessidade da continuação do circuito, ele, no seu génio, haveria de deslindar uma solução, não acha? E mais, até existem contactos no sentido de levar de volta os antigos de competição e não só, para a zona onde se realizavam as provas. No entanto, tais tentativas não têm obtido êxito!!!
Qt à Quinta, apenas sei o q ouvi da boca do próprio presidente.

E, para terminar, a sua visita é sempre bem vinda :)


De siX a 31 de Janeiro de 2007 às 00:56
só mais um apontamento...


Talvez porque o próximo solar a ser recuperado esteja destinado a ser mais um museu, quem sabe se do circuito automóvel, para preservação da memória. É boa nisso, a câmara, na preservação da memória, não tenho dúvida alguma sobre essa questão.


Mas automóveis são o que não faltam em Vila do Conde, filas intermináveis de automóveis ao fim de semana, milhares deles, de gente que procura Vila do Conde, não para gastar um cêntimo que seja, não visitam sequer um museu, tão pouco saem dos seus carros, sendo mais elementos poluidores do ar que outra coisa qualquer. O trabalho dá vida a uma cidade. Outrora, existia vida na cidade… Agora, as ruas estão desertas à noite, os cafés fecham por falta de clientes ou porque assim são obrigados e a terra é mais um dormitório. Mas também há quem não se sinta incomodado com este tipo de coisas e durma descansado


De Anónimo a 29 de Janeiro de 2007 às 12:30
Não sinto pressoes de nada nem de ninguem alias nem percebo essa sua afirmação. Felizmente tambem considero que tenho uma boa capacidade de analise e a minha opinião ja a conhece.

Quanto a Tavira pelo que sei nao esta no top 10.

Lisboa,Guimaraes,Evora,Porto,Aveiro,Angra do heroismo,Coimbra,Ponta Delgada,Vila Real,Braga,Beja,Figªda Foz,Vila do Conde;

;)



De seforis a 28 de Janeiro de 2007 às 16:12
Levaste aqui uma abada :-)


De siX a 28 de Janeiro de 2007 às 20:31
levei, não levei?! :-)


De seforis a 30 de Janeiro de 2007 às 07:57
Já não sei :-)


De Flávia Altmayer a 28 de Janeiro de 2007 às 22:56
siX, meu caro, à parte as discussões mais aprofundadas - as quais a Tribo não tem condições de considerar - ficamos contentes pelo passeio "a pé" por Vila do Conde, o qual realizamos nessa manhã de domingo (de verão no Brasil), ao visitarmos o QD :) ... Foi muito gostoso seguir a "trilha" descrita por você e retratada nas imagens! Não deu para sentir as tais "pedrinhas", mas aí já era pedir demais, né? A Tribo agradece!!


De Julia a 30 de Janeiro de 2007 às 11:33
Força , siX !!! Na minha opinião, esse é o mais belo e vilacondense dos blogs. E eu, como carioca-vilacondense que sou , adoro passear por ele. Obrigada por existir ... :) Bjs


De cachinare a 2 de Outubro de 2007 às 19:43
Caro amigo Vilacondense.

Sou Caxineiro, emigrado na Polónia e pús-me a explorar o teu bem interessante blogue.
Este comentário é só para exprimir o meu desânimo cada vez mais para com o presidente no cadeirão há 25 anos, que tem andado a criar aberrações como a pista de asfalto negra até às Caxinas. Agora deparo com a tua foto do que fizeram à bela e velha ponte na doquinha... estou sem palavras. Mas esse homem percebe alguma coisa de Alma de uma terra? Não me quero pôr aqui a cuspir palavrões à boa maneira Caxineira e como tal termino dizendo que também eu denoto incapacidade política em muitos aspectos e por isso tenho o meu blogue sobre as Caxinas das quais tenho tantas saudades. Não gosto de me meter em politiquices e prefiro escrever sobre o passado e presente do "apenas lugar" das Caxinas. A grandeza nos homens e nas gentes não se mede pela profissão ou pelas influências... mede-se sim pela sua simplicidade. É sobre isso que gosto de escrever, a heróica simplicidade dos homens do mar, das Caxinas e de tantos outros pontos do nosso país. A minha "luta" é também muito simples... porquê que somos apenas um "lugar".
Força nos artigos sobre a nossa Vila do Conde.
Até mais.

caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt

P.S. Obrigado pelo link ao meu blog.


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